Meta Pixel

Derrota de Trump? Polymarket aponta democratas favoritos a conquistar Câmara e Senado

Na véspera das eleições legislativas, mercados de previsão também indicam avanço democrata nos governos estaduais. Uma vitória nas duas Casas do Congresso pode limitar a agenda de presidente Republicano.

By Brazil Stock Guide — A um dia das eleições legislativas nos Estados Unidos, os democratas aparecem como favoritos para conquistar o controle das duas Casas do Congresso e ampliar sua presença nos governos estaduais.

Nos gráficos da Polymarket analisados nesta segunda-feira (2), o partido registra 96% de probabilidade implícita de vitória na Câmara dos Representantes, 79% no Senado e 86% de terminar a eleição com mais governadores do que os republicanos. Em um contrato separado, que considera a conquista simultânea da Câmara e do Senado, a probabilidade de uma vitória democrata chega a 72%.

O histórico recente, porém, recomenda cautela. Na semana passada, a Polymarket errou de forma expressiva na véspera da eleição brasileira, ao apontar ampla vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Luiz Inácio Lula da Silva, na faixa de 80% a 20%. A virada em favor de Lula só apareceu na plataforma quando a apuração dos votos já havia começado.

A disputa pela Câmara apresenta o cenário mais consolidado. Os democratas mantiveram o favoritismo durante praticamente todo o período retratado pelo mercado, mas a distância em relação aos republicanos aumentou substancialmente nos últimos meses.

Depois de oscilar entre aproximadamente 60% e 85% ao longo do segundo semestre de 2025 e dos primeiros meses de 2026, a probabilidade de vitória democrata se aproximou de 90% em outubro e chegou a 96% na reta final. Todas as 435 cadeiras da Câmara estarão em disputa nesta terça-feira (3).

No Senado, a trajetória é mais significativa. Os republicanos começaram o período retratado no gráfico com cerca de 70% de probabilidade de manter o controle da Casa, enquanto os democratas apareciam abaixo de 30%. Essa vantagem começou a diminuir nos primeiros meses de 2026, com as duas legendas se aproximando do equilíbrio em março.

Após novas oscilações ao longo do primeiro semestre, os democratas ganharam força a partir de setembro e ampliaram rapidamente sua vantagem em outubro, alcançando 79% nas cotações analisadas.

A mudança é particularmente relevante porque os republicanos detêm atualmente 53 das 100 cadeiras do Senado, contra 45 democratas e dois independentes alinhados ao partido. Para conquistar a maioria, os democratas precisam de um ganho líquido de quatro cadeiras.

Das 35 vagas em disputa neste ano, 22 são hoje ocupadas por republicanos e 13 por democratas. Corridas em estados como Maine, Alasca, Ohio, Texas e Carolina do Norte ampliaram as possibilidades de mudança de controle, embora o resultado continue dependente de disputas individuais potencialmente apertadas.

O movimento também se estende aos governos estaduais. A Polymarket atribui 86% de probabilidade de os democratas terminarem a eleição comandando mais estados do que os republicanos. O mapa de favoritos apresentado pela plataforma aponta 28 governos democratas e 22 republicanos, invertendo a atual distribuição de 24 a 26.

Trata-se, no entanto, de uma contagem dos partidos favoritos em cada estado, e não de uma projeção probabilística de que o resultado final será necessariamente 28 a 22. Ao todo, 36 governos estaduais estarão em disputa.

Algumas das mudanças mais relevantes aparecem em estados tradicionalmente competitivos ou de forte presença republicana. No mercado de governadores, os democratas registram 83% de probabilidade de vitória em Ohio, 76% em Nevada e 94% no Arizona. Os republicanos permanecem favoritos no Texas, com 61%, e na Flórida, com 65%. Os números sugerem que uma eventual expansão democrata pode ir além dos estados em que o partido já mantém posições historicamente consolidadas.

Se o cenário projetado pelos mercados se confirmar, Donald Trump enfrentará uma configuração política substancialmente diferente na segunda metade de seu mandato. A oposição poderá controlar a pauta legislativa, abrir investigações parlamentares e bloquear iniciativas importantes da Casa Branca. Uma maioria democrata no Senado também ampliaria a capacidade do partido de influir na confirmação de nomeações presidenciais, embora as regras parlamentares continuem impondo limites à aprovação de determinadas medidas.

As cotações da Polymarket, contudo, não equivalem a pesquisas eleitorais nem representam garantia de resultado. Elas refletem preços negociados por participantes que apostam financeiramente em diferentes desfechos.

A liquidez também varia: os contratos sobre o controle da Câmara e do Senado acumulavam, nas imagens analisadas, aproximadamente US$ 39,6 milhões e US$ 16,9 milhões em volume de negociação, respectivamente, enquanto o mercado nacional sobre governos estaduais tinha movimentação muito inferior. A eleição desta terça-feira mostrará se a mudança expressiva das expectativas dos investidores será de fato convertida em uma transferência de poder em Washington e nos estados americanos.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe um comentário