By Brazil Stock Guide — Um ano após inaugurar sua fábrica em Camaçari, na Bahia, a chinesa BYD avança para uma etapa decisiva de sua expansão no Brasil: deixar para trás a dependência da montagem de veículos com componentes importados e estabelecer uma operação industrial mais integrada, capaz de atender tanto ao mercado brasileiro quanto a países da América Latina.
A companhia informou nesta sexta-feira (23) que os novos galpões de soldagem e pintura estão na fase final de testes operacionais, enquanto a unidade de estamparia se encontra em estágio avançado de construção. Mais de 1.100 profissionais já foram contratados para trabalhar nas novas estruturas e estão em treinamento. A expectativa é iniciar 2027 com mais de 50% de conteúdo local nos veículos produzidos no país.
A mudança representa um passo importante para a estratégia da BYD no Brasil, seu maior mercado fora da China. Desde a inauguração do complexo, em outubro de 2025, a operação tem sido alvo de questionamentos sobre a elevada participação de componentes importados. A implantação das etapas de soldagem, pintura e estamparia deve permitir maior integração da produção e abrir oportunidades para fornecedores nacionais de autopeças.
A BYD já iniciou os pedidos de licenciamento necessários para ampliar a capacidade anual de Camaçari a 600 mil veículos. A fábrica tem capacidade inicial anunciada de 150 mil unidades por ano, com uma etapa intermediária prevista de 300 mil. Não foi estabelecido um prazo para atingir o patamar máximo.
Demanda supera capacidade de produção
A aceleração dos investimentos ocorre em meio ao crescimento das vendas da montadora chinesa. A demanda brasileira gira em torno de 30 mil veículos mensais, enquanto a companhia pretende elevar a produção local para 25 mil unidades por mês até dezembro.
Em setembro, a BYD registrou 22.209 emplacamentos no Brasil, alcançando participação de mercado de 8,5%, segundo números apresentados pela companhia. A ambição declarada é ultrapassar as fabricantes tradicionais e assumir a liderança do mercado brasileiro em volume de vendas até 2030.
O complexo de Camaçari, instalado na antiga fábrica da Ford, já emprega aproximadamente 9 mil trabalhadores, dos quais 90% são baianos, segundo a BYD. A companhia pretende chegar a 10 mil funcionários até o encerramento de 2026. Os investimentos já superaram os R$ 5,5 bilhões inicialmente anunciados.
Brasil como plataforma de exportação
A nacionalização também é fundamental para a estratégia regional da BYD. A montadora já recebeu encomendas de 100 mil veículos para exportação, divididas igualmente entre Argentina e México, anunciadas originalmente em março. A expectativa é começar a atender esses pedidos em 2027, quando a maior participação de componentes nacionais deverá permitir o cumprimento das exigências aplicáveis à produção e ao comércio regional.
A iniciativa poderá transformar Camaçari em um centro de produção e distribuição de veículos eletrificados para outros mercados das Américas, ampliando a importância do Brasil na estrutura internacional da fabricante chinesa.
A transição, entretanto, ainda precisa ser concluída. Embora a montagem de veículos já esteja em funcionamento, as novas etapas industriais não entraram plenamente em operação. O cumprimento da meta de conteúdo local dependerá também da incorporação de fornecedores brasileiros à cadeia produtiva.













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