Meta Pixel

Rival da Starlink, AST SpaceMobile fecha acordo com Brisanet e Unifique para conectar celulares por satélite

Acordo coloca operadoras regionais brasileiras na disputa por um mercado dominado pela expansão da SpaceX.

By Brazil Stock Guide — A disputa pela próxima geração de telefonia móvel via satélite ganhou um novo capítulo no Brasil. A Brisanet (BRST3), a Unifique e a Iez! Telecom anunciaram nesta sexta-feira (23) um acordo comercial com a americana AST SpaceMobile (NASDAQ: ASTS), uma das principais concorrentes da Starlink, de Elon Musk, no desenvolvimento de conexões diretas entre satélites e smartphones convencionais.

A parceria pretende oferecer chamadas de voz, internet de banda larga e streaming de vídeo em celulares comuns, sem necessidade de antenas externas, aplicativos específicos ou modificações nos aparelhos. A tecnologia, conhecida como Direct-to-Device (D2D), poderá ampliar a cobertura para áreas rurais, estradas e localidades onde a infraestrutura terrestre de telecomunicações é insuficiente ou inexistente.

Pelo acordo, as três operadoras brasileiras disponibilizarão frequências da faixa de 700 MHz e investirão na infraestrutura necessária para conectar suas redes móveis à constelação de satélites da AST SpaceMobile, por meio de estações terrestres chamadas gateways. Os termos financeiros, o cronograma de implantação e as condições definitivas da operação ainda estão em negociação.

“A parceria com a AST SpaceMobile complementa a nossa rede e nos permite levar conectividade para além do alcance da nossa infraestrutura terrestre, oferecendo aos clientes acesso a voz e banda larga móvel em mais lugares, com os smartphones que eles já possuem; garantindo à Brisanet um lugar no futuro da conectividade”, afirmou José Roberto Nogueira, fundador e CEO da Brisanet, no comunicado divulgado ao mercado.

Com sede no Texas e ações negociadas na Nasdaq, a AST SpaceMobile desenvolve uma rede de satélites de órbita baixa projetada para funcionar como extensão das redes celulares existentes. A companhia já anunciou acordos e parcerias com mais de 60 operadoras de telefonia, que, juntas, atendem aproximadamente 3 bilhões de assinantes em diferentes mercados. Entre seus parceiros estratégicos estão AT&T, Verizon, Vodafone e a japonesa Rakuten.

A estratégia difere parcialmente daquela adotada pela SpaceX. Enquanto a AST SpaceMobile procura se posicionar como fornecedora de infraestrutura para operadoras tradicionais, a Starlink combina parcerias comerciais com planos de construir sua própria rede móvel terrestre nos Estados Unidos. Em outubro, a SpaceX anunciou um acordo para adquirir frequências de 800 MHz no mercado americano, reforçando sua ambição de competir diretamente com grandes empresas de telefonia naquele país.

A Starlink, contudo, parte de uma posição muito mais avançada em escala operacional. Sua constelação já oferece serviços comerciais de internet por satélite em diferentes mercados e dispõe de centenas de satélites equipados para comunicação direta com celulares. A AST SpaceMobile ainda está expandindo sua infraestrutura espacial: em agosto, informou ter 13 satélites em órbita e preparar novos lançamentos para ampliar a cobertura e a continuidade dos serviços.

A diferença também aparece nos números financeiros. No segundo trimestre de 2026, a AST SpaceMobile registrou receita de US$ 31,5 milhões, proveniente principalmente de fornecimentos de infraestrutura e contratos governamentais. A companhia informou possuir aproximadamente US$ 1,3 bilhão em receitas contratadas e encomendas governamentais, além de uma posição de caixa ajustada superior a US$ 3,7 bilhões após uma captação realizada em julho. Apesar desses recursos, o desenvolvimento da constelação continua exigindo investimentos elevados e envolve riscos tecnológicos, regulatórios e de execução.

O Brasil entra na disputa

O acordo com a AST SpaceMobile ocorre enquanto a Starlink também avança no mercado brasileiro de conectividade direta ao celular. A Vivo participa de um ambiente experimental autorizado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), com a Starlink indicada como parceira tecnológica. Em setembro, a agência prorrogou a autorização temporária até abril de 2029. Ainda não existe, porém, uma oferta comercial ampla de conexão direta por satélite disponível aos clientes brasileiros da operadora.

Para Brisanet, Unifique e Iez!, a parceria representa uma oportunidade de ampliar a abrangência de suas redes sem depender exclusivamente da construção de novas torres. Também pode fortalecer a posição competitiva de operadoras regionais diante de grupos nacionais de maior porte, embora os efeitos sobre receitas, custos e participação de mercado ainda não possam ser dimensionados.

A principal incógnita está na velocidade de implantação da tecnologia e em seu custo comercial. Transformar satélites em uma alternativa complementar às redes terrestres exige capacidade de transmissão, cobertura contínua, autorizações regulatórias e integração com a infraestrutura das operadoras. A conexão direta ao celular também enfrenta limitações físicas de sinal e capacidade, sobretudo em ambientes fechados ou áreas densamente urbanizadas.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo