Meta Pixel

Cotas chinesas derrubam exportações e devem pressionar margens da JBS no Brasil

BTG Pactual prevê queda de 32% no EBITDA da operação brasileira no terceiro trimestre, com retração das vendas externas e perda de rentabilidade.

JBS, JBSS3,

By Brazil Stock Guide — As cotas de importação de carne bovina adotadas pela China devem pesar sobre os resultados da JBS no terceiro trimestre de 2026, reduzindo volumes de exportação e pressionando as margens da companhia no Brasil e na Austrália. A avaliação é do BTG Pactual, que prevê uma deterioração significativa da rentabilidade dos dois negócios, embora enxergue espaço para recuperação nos últimos três meses do ano.

Segundo relatório divulgado na quinta-feira (22), as exportações brasileiras de carne bovina recuaram aproximadamente 22% no terceiro trimestre em relação ao segundo. O movimento deve afetar especialmente a Friboi, responsável por cerca de 70% da receita da divisão JBS Brasil e com aproximadamente metade de suas vendas destinada ao mercado externo.

O BTG estima que, caso os embarques da Friboi tenham acompanhado a retração observada nas exportações brasileiras, o impacto negativo sobre a receita total da divisão poderá chegar a aproximadamente 8%. O efeito sobre a rentabilidade tende a ser ainda mais relevante, uma vez que as vendas externas oferecem margens superiores às praticadas no mercado doméstico.

Com isso, o banco projeta um EBITDA ajustado de US$ 182 milhões para a JBS Brasil no terceiro trimestre, queda de 32% em relação aos três meses anteriores. A margem EBITDA deve recuar de 5,9% para 4,4%, uma contração de 1,5 ponto percentual.

Na Austrália, a dinâmica é semelhante. As exportações de carne bovina do país diminuíram cerca de 8% na comparação trimestral, enquanto a alta dos preços do gado adicionou pressão aos custos. O BTG prevê que o EBITDA da operação australiana da JBS caia 29%, para US$ 164 milhões, com margem de 6,7%, ante 9% no segundo trimestre.

Recuperação pode começar no quarto trimestre

Apesar das restrições chinesas permanecerem em vigor, o BTG avalia que os exportadores poderão retomar embarques ainda no quarto trimestre, destinados a chegar à China dentro das cotas de 2027. Esse movimento tende a reduzir as dificuldades enfrentadas pelas operações brasileira e australiana, permitindo uma recuperação sequencial dos resultados.

Nos Estados Unidos, a perspectiva para o negócio de carne bovina também começa a melhorar. Depois de sucessivos trimestres de pressão sobre a rentabilidade, a divisão JBS US Beef deve retornar ao terreno positivo, com EBITDA estimado em US$ 31 milhões e margem de 0,4%, ante margem negativa de 1% no segundo trimestre.

A recuperação americana contrasta com o cenário de aves e suínos. O BTG prevê que a Pilgrim’s Pride registre queda de 6% no EBITDA em relação ao trimestre anterior, para US$ 473 milhões, enquanto a operação americana de suínos deve apresentar recuo de 14%, para US$ 101 milhões.

No Brasil, a Seara também deve enfrentar margens menores, refletindo a maior oferta doméstica de suínos e a deterioração dos spreads de carne de frango nos mercados interno e externo. O EBITDA projetado para a divisão é de US$ 331 milhões, redução de 13% na comparação trimestral.

BTG mantém recomendação de compra

Considerando todas as operações, o BTG estima que a JBS registre EBITDA ajustado de US$ 1,28 bilhão no terceiro trimestre, queda de 30% em relação ao mesmo período de 2025 e de 10% ante o segundo trimestre de 2026. A margem consolidada deve atingir 5,5%, contra 8,1% um ano antes.

Apesar da expectativa de resultados mais fracos, o banco mantém recomendação de compra para as ações da companhia, com preço-alvo de R$ 100, equivalente a um potencial de valorização de aproximadamente 60% em relação à cotação de referência de R$ 62,67 utilizada no relatório.

A avaliação é que parte das dificuldades enfrentadas pela JBS tem caráter temporário, sobretudo as restrições aos embarques para a China e a pressão sobre o negócio americano de carne bovina. O BTG, porém, alerta que o setor de proteínas ainda enfrenta limitações para uma recuperação sustentada dos lucros, diante da deterioração dos ciclos de aves e suínos e dos primeiros sinais de retenção de gado no Brasil.

Para o banco, a JBS permanece uma alternativa relativamente atraente dentro do setor, apoiada por seu valuation de médio prazo, embora existam oportunidades de investimento consideradas mais promissoras em outros segmentos de sua cobertura.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo