By Brazil Stock Guide — O CEO do Nubank, David Vélez, apresentou uma visão ambiciosa para transformar a instituição fundada por ele em um banco global, com até 1 bilhão de clientes em 100 países. Segundo o executivo, os avanços da inteligência artificial poderão permitir que instituições financeiras dessa dimensão operem com apenas 5 mil funcionários.
Em entrevista ao podcast Invest Like the Best, apresentado por Patrick O’Shaughnessy e divulgada em 13 de outubro, Vélez afirmou que a combinação de inteligência artificial e baixos custos operacionais pode permitir ao Nubank expandir seus negócios muito além da América Latina.
Atualmente, o Nubank atende cerca de 140 milhões de clientes com 10 mil funcionários. Vélez comparou essa estrutura à de bancos tradicionais, que chegam a empregar 100 mil pessoas e manter milhares de agências para atender uma base menor de correntistas.
“É possível imaginar bancos com 500 milhões ou 1 bilhão de clientes e 5 mil funcionários”, afirmou Vélez, ao descrever o potencial da inteligência artificial para transformar as operações bancárias.
Os números representam uma visão de longo prazo, e não metas formais anunciadas pela companhia. Vélez não estabeleceu um prazo para alcançar 1 bilhão de clientes ou atuar em 100 países, tampouco apresentou planos de reduzir o quadro atual do Nubank para 5 mil empregados.
Da América Latina para o mundo
Segundo Vélez, a ambição de construir uma plataforma bancária global acompanha o Nubank desde sua fundação, em 2013. Na apresentação original aos investidores, a empresa já defendia a tese de que os bancos tradicionais perderiam espaço para instituições financeiras digitais em todo o mundo.
Após 13 anos de expansão no Brasil, México e Colômbia, o executivo considera que o Nubank demonstrou a capacidade de seu modelo de negócios de competir com instituições financeiras estabelecidas.
No Brasil, o banco possui aproximadamente 120 milhões de clientes, o equivalente a mais de 65% da população adulta, segundo Vélez. Cerca de 60% dos clientes utilizam o Nubank como sua principal instituição financeira.
O executivo contou que passou um ou dois anos refletindo sobre a possibilidade de desenvolver outros projetos fora do Nubank, mas concluiu que multiplicar a dimensão da empresa por dez teria um impacto maior do que qualquer outra iniciativa que pudesse empreender.
Essa ambição significaria levar o Nubank dos atuais três países de atuação para 100 mercados, com uma base potencial de 1 bilhão de clientes.
Vélez estima que os bancos tradicionais ainda concentrem aproximadamente 90% de um mercado global de serviços financeiros ao consumidor avaliado por ele em US$ 10 trilhões. Na avaliação do executivo, há espaço significativo para que instituições digitais conquistem participação nesse mercado.
O Nubank prepara sua entrada nos Estados Unidos e também anunciou planos para oferecer contas vinculadas a stablecoins, criptomoedas cujo valor acompanha o de ativos como o dólar, em mais de 35 países.
Vélez reconheceu, porém, que o mercado americano apresenta desafios importantes, principalmente pela concorrência intensa e pela confiança que os consumidores depositam nas marcas bancárias tradicionais.
Segundo ele, construir uma marca reconhecida e conquistar a confiança dos clientes sem recorrer a gastos excessivos com publicidade estarão entre os principais obstáculos à expansão nos Estados Unidos.
Inteligência artificial como motor de crescimento
Vélez acredita que a inteligência artificial poderá ampliar ainda mais a vantagem de custos do Nubank em relação aos concorrentes tradicionais.
De acordo com o executivo, o custo para atender um cliente do Nubank corresponde a aproximadamente 3% daquele de um banco tradicional, mesmo antes dos possíveis ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial.
A instituição já redesenhou cerca de 120 processos internos com o uso da tecnologia, incluindo desenvolvimento de software, criação de produtos, conformidade regulatória, auditoria interna e gestão de capital.
O Nubank também reduziu sua estrutura organizacional de aproximadamente dez níveis hierárquicos para cinco. Ao mesmo tempo, Vélez passou de um para cerca de 20 executivos subordinados diretamente a ele.
Para o CEO, essas mudanças fazem parte de uma transformação mais ampla, que poderá permitir às instituições financeiras ampliar expressivamente sua base de clientes sem aumentar o número de funcionários na mesma proporção.
Vélez também afirmou que o Nubank está desenvolvendo serviços voltados para agentes autônomos de inteligência artificial, considerados pela companhia um novo segmento de clientes. Esses sistemas poderão interagir com produtos financeiros e realizar operações em nome dos consumidores.
Os riscos da expansão global
Apesar do otimismo, Vélez reconheceu que a estratégia internacional do Nubank envolve riscos consideráveis.
O executivo descreveu um cenário negativo no qual a instituição esgota seu potencial de crescimento nos mercados latino-americanos, não consegue avançar em outros países e deixa de aproveitar plenamente as oportunidades oferecidas pela inteligência artificial.
Como o Nubank já atende uma parcela expressiva da população adulta brasileira, a expansão da base de clientes dependerá cada vez mais da conquista de novos mercados.
No cenário mais favorável, segundo Vélez, o banco aproveitará a migração de clientes das instituições tradicionais para plataformas digitais ao longo das próximas duas ou três décadas, estabelecendo presença em mais de 100 países.
A aposta do executivo é que tecnologias como sistemas de pagamentos instantâneos, compartilhamento de dados financeiros e inteligência artificial acelerem essa transformação.
Para Vélez, a oportunidade deixou de ser apenas desafiar os maiores bancos brasileiros, como o Nubank se propôs a fazer há mais de uma década. Agora, a ambição é disputar uma parcela relevante do mercado financeiro mundial.













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