A possível compra do britânico Monzo pelo Nubank provocou uma reação imediata em Wall Street. As ações da Nu chegaram a cair cerca de 9% depois das notícias de que o banco estaria discutindo uma aquisição avaliada entre aproximadamente US$ 10,6 bilhões e US$ 13,3 bilhões, uma operação que poderia representar até 20% do valor de mercado da companhia.
O Monzo é um ativo atraente. O banco tem cerca de 15 milhões de clientes, mais de US$ 30 bilhões em depósitos, forte presença no Reino Unido e licença bancária na Irlanda, que pode servir de base para uma expansão pela União Europeia. Ao comprar o Monzo, o Nubank não estaria adquirindo apenas uma carteira de clientes, mas também marca, depósitos, infraestrutura regulatória e anos de desenvolvimento de uma operação europeia.
O problema é o preço. No topo da faixa, o Nubank estaria pagando perto de 6 vezes a receita anual do Monzo e quase 60 vezes seu lucro ajustado antes dos impostos. O banco britânico havia sido avaliado em torno de US$ 6 bilhões em 2024, o que significa que uma transação perto de US$ 13 bilhões mais do que dobraria seu valuation em menos de dois anos.
A possível aquisição também mexe com uma das principais premissas da história do Nubank. A companhia construiu sua reputação expandindo de forma orgânica: começou no Brasil e levou o modelo para México e Colômbia com tecnologia própria, estruturas leves e baixo custo de aquisição de clientes. Comprar o Monzo significaria trocar parte dessa lógica por uma estratégia de M&A em grande escala.
Há, porém, uma racionalidade evidente. O Reino Unido é um mercado bancário maduro, altamente competitivo e já ocupado por fintechs fortes. Construir uma franquia relevante do zero poderia levar muitos anos. Pagar caro pelo Monzo seria, em essência, pagar para comprar tempo e acelerar a entrada do Nubank na Europa.
É isso que explica o desconforto do mercado. O debate não é apenas se o Monzo é um bom banco, mas se o Nubank deveria pagar tanto para comprá-lo e assumir uma integração complexa enquanto ainda expande México, Colômbia e Estados Unidos. A pergunta que fica é simples: se o Nubank é tão bom em construir bancos, por que quer pagar até US$ 13 bilhões para comprar um?













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