As canetas para diabetes e obesidade estão mudando a conta das grandes redes de farmácias brasileiras. No segundo trimestre, estima-se que os GLP-1 já representavam mais de 10% da receita das farmácias listadas e respondiam por aproximadamente 5 pontos percentuais dos 16% de crescimento conjunto. Uma categoria equivalente a pouco mais de um décimo das vendas produziu quase um terço da expansão. Ao mesmo tempo, o crescimento do mercado farmacêutico como um todo vem desacelerando.
Os GLP-1 já têm peso relevante nas três maiores redes listadas. Na Raia Drogasil, representaram cerca de 12% da receita no segundo trimestre e responderam por 6 pontos percentuais do crescimento, embora o restante do negócio ainda avançasse em dois dígitos. Na Pague Menos, a contribuição das canetas ao crescimento caiu de 6,5 para 3,2 pontos, acompanhando uma desaceleração das vendas. Já na Panvel, as vendas da categoria cresceram 91% no primeiro semestre e podem superar 12% da receita, ainda com alguma pressão sobre a margem bruta. Em comum, os números mostram que as canetas aceleram um setor que já crescia, mas começam a ter peso suficiente para influenciar sua velocidade e rentabilidade.
É aí que está a próxima etapa da história. Mais concorrência e preços menores podem ampliar dramaticamente o número de pacientes e o volume vendido. Ao mesmo tempo, mais fabricantes disputando espaço tendem a melhorar o poder de compra das grandes redes. O BTG estima que as margens brutas de GLP-1 podem convergir para cerca de 25% até o fim de 2026 e superar 30% no médio prazo.
As farmácias ainda não dependem das canetas para crescer. Mas elas já se tornaram grandes demais para serem tratadas como apenas mais uma categoria. Se o volume continuar aumentando e as margens melhorarem, os GLP-1 terão deixado de ser apenas um fenômeno farmacêutico para se tornar uma transformação do próprio varejo.













Deixe um comentário