By Brazil Stock Guide — Em 13 anos, David Vélez ajudou a transformar uma startup financeira fundada em São Paulo em um dos maiores bancos digitais do mundo. O Nubank, criado em 2013 ao lado de Cristina Junqueira e Edward Wible, chegou a 139 milhões de clientes no segundo trimestre de 2026 e ultrapassou US$ 1 bilhão de lucro trimestral.
Agora, seu fundador e CEO terá mais uma década de incentivos vinculados à companhia: recebeu um pacote de ações avaliado em aproximadamente US$ 200 milhões na data da concessão.
A operação foi realizada em 15 de outubro de 2026 e comunicada à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais americano. Segundo o documento, a Nu Holdings (NYSE: NU) concedeu a Vélez exatamente 13.577.733 ações ordinárias Classe A, sem exigir desembolso para sua aquisição.
Considerando a cotação de fechamento de US$ 14,73 naquele dia, o pacote tinha valor de mercado de US$ 200 milhões. No fechamento desta quinta-feira, 29 de outubro, o valor total estimado já havia recuado para aproximadamente US$ 163,6 milhões, em função da queda do valor da ação para US$ 12,05 na Bolsa de Nova York.
O incentivo, porém, não representa um pagamento imediato ao executivo. As ações estão sujeitas a um cronograma de aquisição definitiva, conhecido como vesting, que se estenderá por dez anos, com conclusão em 1º de janeiro de 2036.
A permanência de Vélez na companhia é uma das condições para que ele consolide o direito aos papéis. O valor de US$ 200 milhões também não corresponde necessariamente à despesa contábil que será reconhecida pelo Nubank ao longo do programa.
A concessão substitui os prêmios anuais de remuneração acionária que seriam atribuídos ao executivo entre 2027 e 2031. Em vez de receber novas concessões regulares durante esses cinco anos, Vélez recebeu um pacote único, cuja aquisição definitiva será distribuída ao longo de uma década.
O registro não informa, entretanto, o valor que seria concedido anualmente no modelo anterior, o que impede determinar se a mudança representa um aumento efetivo de sua remuneração.
Não é a primeira vez que a remuneração acionária de David Vélez envolve cifras dessa dimensão. Em novembro de 2022, o fundador do Nubank abriu mão de um programa de incentivos criado no ano anterior, cujo valor justo contábil havia sido estimado em US$ 423 milhões. O plano previa a concessão de até 2% do capital da companhia, condicionada ao cumprimento de metas de valorização das ações.
Na ocasião, o banco afirmou que a decisão evitaria uma diluição potencial de até 2% dos acionistas e eliminaria o reconhecimento de US$ 356 milhões em despesas futuras, embora exigisse o registro de uma despesa contábil extraordinária de igual valor em 2022. O programa foi encerrado sem que Vélez recebesse as ações previstas.
Procurado pelo Brazil Stock Guide, o Nubank afirmou que cumpre os requisitos de transparência aplicáveis às companhias listadas na Bolsa de Nova York. “Alinhado ao nosso modelo de remuneração, o incentivo concedido ao Fundador e CEO David Vélez é um plano de ações único e de longo prazo com período de vesting até 1º de janeiro de 2036”, informou a companhia.
Segundo o banco, o programa demonstra o compromisso de Vélez com o negócio, tanto como fundador e presidente do conselho de administração quanto como CEO.
O Nubank não esclareceu se a aquisição definitiva das ações depende de metas de desempenho financeiro ou valorização dos papéis, além da permanência do executivo. A companhia também não detalhou oimpacto previsto nos resultados e eventual efeito sobre a participação dos demais acionistas. Segundo o formulário apresentado à SEC, as ações restritas já foram emitidas e registradas em nome de Vélez, sujeitas às condições de vesting.
A dimensão do pacote ganha relevância diante da estrutura de controle da companhia. Além de CEO e presidente do conselho, Vélez controla o Nubank por meio de ações Classe B, que conferem 20 votos por papel, contra um voto das ações Classe A negociadas em Nova York.
Segundo o relatório anual de 2025, com dados de março de 2026, o fundador tinha uma participação beneficiária atribuída de aproximadamente 903,1 milhões de ações Classe B, correspondentes a 74,4% do poder de voto da Nu Holdings. Considerando a cotação de US$ 12,05 das ações Classe A em 29 de outubro, essa posição teria valor estimado em US$ 10,88 bilhões, utilizando o preço dos papéis negociados em Bolsa como referência e supondo que a quantidade de ações tenha permanecido inalterada.
Essa estrutura assegura a Vélez influência decisiva sobre a companhia, mesmo sem deter a maioria do capital econômico, e torna particularmente importante a transparência dos mecanismos de aprovação de sua remuneração.













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