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Fim de uma era: Casas Bahia fica sem um Klein no conselho pela primeira vez

Renúncia de Raphael Klein encerra a presença da família fundadora no colegiado em meio à recuperação judicial de R$ 17,3 bilhões.

Casas Bahia recovery highlighted by BTG as retailer exits survival mode and enters growth phase

By Brazil Stock Guide — Pela primeira vez desde a associação das Casas Bahia com o Ponto Frio, em 2010, a família Klein deixa de ter representação no Conselho de Administração da companhia. Raphael Oscar Klein, neto do fundador da rede, Samuel Klein, renunciou ao cargo na quarta-feira (28), encerrando uma presença familiar que atravessou diferentes estruturas de controle, mudanças de gestão e a transformação da antiga Via Varejo no atual Grupo Casas Bahia (BHIA3).

A renúncia foi comunicada à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) com efeitos imediatos e inclui a saída dos comitês de assessoramento do conselho dos quais Raphael participava. O documento não informa os motivos da decisão. A companhia limitou-se a agradecer ao executivo pelos serviços prestados e afirmou que avaliará oportunamente a recomposição do colegiado.

Procurada pelo Brazil Stock Guide, a assessoria de imprensa não respondeu às perguntas sobre as razões da saída e suas implicações para a governança, limitando-se a reiterar o conteúdo do comunicado oficial.

A família Klein já não detinha o controle acionário da companhia havia anos. A mudança começou com a associação entre Casas Bahia e Ponto Frio, em 2009, que colocou as operações sob o controle do Grupo Pão de Açúcar (GPA). Em 2019, o GPA vendeu sua participação na Via Varejo, deixando a companhia com capital pulverizado e sem um controlador definido.

Uma nova mudança ocorreu em agosto de 2025, quando a Mapa Capital assumiu o controle da varejista após converter em ações cerca de R$ 1,65 bilhão em debêntures anteriormente detidas por Bradesco e Banco do Brasil. A operação deu à Mapa participação inicial de aproximadamente 85,5%.

Atualmente, a gestora controla a companhia por meio da Domus VII Participações, que possui 832,4 milhões de ações, equivalentes a 82,11% do capital social, segundo os dados divulgados pelo Grupo Casas Bahia.

Apesar das mudanças de controle, os Klein haviam preservado representação no Conselho de Administração. Michael Klein, filho de Samuel e pai de Raphael, tomou posse no colegiado da então Globex em novembro de 2010. Documentos societários posteriores registram sua permanência no órgão durante o período de controle do Grupo Pão de Açúcar.

Michael voltou à presidência do conselho em junho de 2019, durante a reorganização acionária da Via Varejo. Em 2020, passou o comando ao filho Raphael, que havia participado da associação entre Casas Bahia e Ponto Frio e exercido a presidência executiva da companhia até novembro de 2012. Raphael permaneceu à frente do conselho até dezembro de 2022, quando Renato Carvalho do Nascimento assumiu a presidência. O herdeiro da família fundadora, entretanto, conservou sua cadeira como conselheiro.

A saída agora reduz de cinco para quatro o número de integrantes do conselho. Permanecem Renato Carvalho do Nascimento, presidente; Fernando Alcantara de Figueredo Beda, vice-presidente; André Luiz Helmeister; e Claudia Quintella Woods. Beda e Helmeister são fundadores da Mapa Capital, atual controladora da varejista. O estatuto social estabelece um colegiado com cinco a nove membros. Em seu comunicado, o Grupo Casas Bahia afirmou que examinará a recomposição à luz das regras de governança e das deliberações tomadas na Assembleia Geral Extraordinária de 19 de outubro.

A renúncia ocorre durante um dos períodos mais delicados da história financeira da varejista. Em 16 de agosto, o Grupo Casas Bahia e determinadas subsidiárias ingressaram com pedido de recuperação judicial para reestruturar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas.

O pedido foi ratificado pelos acionistas em 19 de outubro e teve seu processamento deferido pela Justiça de São Paulo dois dias depois. A decisão judicial autorizou o prosseguimento do processo, sem representar uma aprovação definitiva do plano de recuperação.

O comunicado de renúncia não estabelece qualquer relação entre a decisão de Raphael Klein e a recuperação judicial, tampouco esclarece se a família pretende indicar outro representante para o conselho. A saída também não significa, por si só, o encerramento de eventuais participações acionárias dos Klein na companhia.


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