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Lucro da Ambev cai 10% no 3T26, e vendas de cerveja no Brasil crescem abaixo do mercado

Volume de cerveja avança apenas 0,5% no país, ante expansão estimada de 4% da indústria.

By Brazil Stock Guide — A Ambev registrou queda de 10,2% no lucro líquido do terceiro trimestre de 2026, para R$ 4,37 bilhões, em um período marcado pelo crescimento das vendas de cerveja no Brasil abaixo do ritmo de recuperação da indústria. Apesar do avanço do lucro ajustado e da forte geração de caixa, os resultados evidenciam a pressão sobre a rentabilidade das operações brasileiras, principal mercado da companhia.

A receita líquida consolidada aumentou 3,6%, para R$ 21,59 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado cresceu 3%, para R$ 7,27 bilhões. Em termos orgânicos, que desconsideram efeitos cambiais e determinados ajustes contábeis, a receita avançou 7,6% e o EBITDA ajustado subiu 8,9%. O lucro líquido ajustado alcançou R$ 4,39 bilhões, alta de 14,3%, beneficiado pelo crescimento operacional e pela redução das despesas financeiras líquidas.

A queda do lucro contábil reflete, em parte, uma base de comparação mais elevada. No terceiro trimestre de 2025, a Ambev havia reconhecido um ganho não recorrente de R$ 884,5 milhões relacionado à reestruturação de subsidiárias. Além disso, as despesas com Imposto de Renda e contribuição social aumentaram de R$ 350,2 milhões para R$ 882,1 milhões no período.

O principal sinal de alerta veio da operação brasileira de cerveja. Os volumes comercializados pela Ambev cresceram apenas 0,5% no trimestre, enquanto a indústria registrou expansão estimada de 4%, segundo dados da Nielsen citados pela companhia. A receita líquida da divisão aumentou 4,8%, para R$ 10,14 bilhões, mas o EBITDA ajustado avançou somente 1% em termos orgânicos, com retração de 130 pontos-base na margem, para 34,9%. O aumento dos investimentos em marketing e das despesas de distribuição pressionou a rentabilidade.

A companhia, entretanto, apresenta uma leitura mais favorável quando considerados conjuntamente o segundo e o terceiro trimestres. Nesse intervalo, seus volumes de cerveja no Brasil cresceram 2,7%, superando a expansão estimada de 1,3% da indústria. Para a Ambev, o desempenho reflete ganhos de participação de mercado e melhora da execução comercial, indicando que o resultado isolado do terceiro trimestre não representa necessariamente a tendência competitiva do negócio.

As mudanças nos hábitos dos consumidores também aparecem nos números. No Brasil, os volumes de cervejas premium cresceram na faixa dos 10% altos, enquanto as cervejas sem álcool avançaram aproximadamente 40%. A Stella Artois Pure Gold quase triplicou seu volume, e a Michelob Ultra registrou crescimento superior a cinco vezes. Em contrapartida, as vendas das cervejas tradicionais de grande consumo, classificadas como mainstream, recuaram um dígito médio, reforçando a importância das categorias premium e de produtos associados a escolhas de consumo mais equilibradas.

Fora do Brasil, as operações internacionais ajudaram a sustentar os resultados. O EBITDA ajustado cresceu 11,4% organicamente na América Central e no Caribe e 41,5% na América Latina Sul, região que inclui a Argentina. A política de preços e o controle de custos contribuíram para compensar a fraqueza do consumo, especialmente no mercado argentino. Os efeitos cambiais e os ajustes contábeis relacionados à hiperinflação, contudo, reduziram o crescimento reportado em reais.

A geração de caixa permaneceu como um dos principais pontos fortes do balanço. O fluxo de caixa operacional aumentou 11%, para R$ 7,68 bilhões, enquanto a companhia encerrou setembro com posição de caixa líquido de R$ 19,2 bilhões. A Ambev também anunciou um novo programa de recompra de até 190 milhões de ações, equivalente a aproximadamente R$ 2,9 bilhões, considerando a cotação de fechamento de 28 de outubro. O programa, cujo principal objetivo é o cancelamento dos papéis adquiridos, poderá ser executado até abril de 2028.

Os resultados apresentam um quadro de contrastes para os investidores: crescimento do lucro recorrente, elevada capacidade de geração de caixa e expansão das marcas premium, mas desempenho modesto dos volumes e pressão sobre as margens no principal mercado da companhia. A questão central é se os investimentos em marcas e distribuição conseguirão se traduzir em ganhos sustentáveis de participação de mercado sem comprometer ainda mais a rentabilidade da operação brasileira.


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