Meta Pixel

Bradesco: Destravando o capital

Banco carrega capital que rende pouco e BTG vê um caminho para fazê-lo trabalhar.

Durante anos, o mercado discutiu por que o Bradesco vinha ganhando menos do que o Itaú. Em seu último relatório, o BTG Pactual sugere uma resposta mais certeira sobre como o banco tradicional poderia destravar valor. Digitalização, eficiência, competição — tudo válido, mas secundário.

Como o próprio relatório dos analistas Eduardo Rosman, Ricardo Buchpiguel e Antonio Pascale reconhece, o verdadeiro desvio está explicado no balanço do banco da Cidade de Deus. Enquanto cerca de 60% do capital do Itaú gera retorno, no Bradesco esse número mal chega a 30%. A diferença não está no crédito, nem no funding. Está nos ativos fiscais diferidos (DTAs) — um tipo de capital que existe, mas não trabalha.

Em números, o Bradesco carrega cerca de R$111 bilhões em DTAs sobre um patrimônio de R$179 bilhões. É mais da metade do capital presa em um ativo que não rende. Não é pouca coisa. Esses ativos fiscais diferidos nascem, em geral, de prejuízos passados ou de diferenças temporárias na contabilidade que podem ser compensadas com impostos a serem pagos no futuro.

Na prática, funcionam como um “crédito tributário”: o banco deixa de pagar imposto mais adiante, quando gerar lucro. O problema é que, enquanto esse lucro não vem — ou vem devagar —, esse ativo não gera caixa nem retorno. Fica parado no balanço. Em um país de juros altos, esse capital deveria estar aplicado em ativos que acompanham a Selic. Quando uma parcela relevante está presa em DTAs, o custo de capital sobe — e o retorno não acompanha. O resultado: um ROE menor.

O BTG vê um caminho para a tangibilização desse capital. A reorganização dos ativos de saúde — com a listagem da BradSaúde — pode ajudar a destravar esse processo. Ao gerar ganhos de capital, lucros adicionais ou uma reprecificação de ativos, a operação tende a acelerar a utilização desses créditos tributários. Em termos simples: cria lucro tributável mais rapidamente, permitindo que o banco “consuma” os DTAs e converta esse capital em algo que efetivamente gera retorno.

O mercado já reagiu — até certo ponto. Em 12 meses, o Bradesco subiu 63% e vale cerca de R$220 bilhões. O Itaú avançou 48% e vale R$517 bilhões. O Bradesco pode até surpreender no curto prazo. Mas o ponto central está na admissão implícita: o problema nunca foi apenas ganhar pouco — foi carregar muito capital que não rendia nada. Se esse capital começar a trabalhar mais rápido, há espaço para reprecificação.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo