Por Brazil Stock Guide — Vinte e cinco grandes operações ligadas à marca Unimed mantiveram estabilidade no número de beneficiários e um quadro financeiro relativamente equilibrado. Assim, as crises enfrentadas por algumas cooperativas não se traduziram, até agora, em uma deterioração generalizada entre as entidades analisadas.
As operações reuniam 10,46 milhões de beneficiários de assistência médica em julho de 2026. Na comparação com junho, a carteira conjunta ficou praticamente inalterada. Isso aconteceu segundo cálculos do Brazil Stock Guide a partir das variações individuais divulgadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
Em contraste, alguns dos principais grupos nacionais de saúde avançaram no mesmo período. Bradesco Saúde, Amil, SulAmérica e Porto Seguro Saúde cresceram conjuntamente perto de 1% em julho. Por outro lado, as 25 operações Unimed permaneceram estáveis. A exceção entre os grandes grupos foi a Hapvida, cuja carteira médica recuou cerca de 0,7% no mês.
Diferentes Unimeds
O contraste sugere menor ritmo de expansão comercial das grandes Unimeds em julho, mas não uma perda relevante de escala. Ganhos e perdas individuais praticamente se compensaram: a Seguros Unimed cresceu 1,66%, enquanto a CNU recuou 0,82%. A Grande Florianópolis teve uma queda mais forte, de 4,74%, porém com peso limitado no conjunto.
A fotografia financeira também aponta para estabilidade. As 25 entidades somam cerca de R$ 33,15 bilhões em receitas de contraprestações e R$ 26,40 bilhões em despesas assistenciais. Isso equivale a aproximadamente 79,6% da receita.
No entanto, a comparação anual é fortemente distorcida pela Unimed FERJ. A situação no Rio de Janeiro é conhecida e envolve uma profunda reorganização operacional. A entidade registrou queda de 85,9% na receita e de 97% nas despesas assistenciais em relação ao período anterior.
Por isso, excluindo a FERJ, as outras 24 operações somam aproximadamente R$ 32,77 bilhões em receitas e R$ 26,32 bilhões em despesas assistenciais. A partir das variações divulgadas individualmente pela ANS, o BSG estima que as receitas cresceram cerca de 8%. Além disso, as despesas assistenciais avançaram em ritmo semelhante.
A relação entre despesas assistenciais e receitas nessas 24 entidades ficou em torno de 80,3%, ante aproximadamente 80,1% no período anterior. A mudança é pequena. Portanto, isso não aponta, nesse recorte, para uma deterioração generalizada da relação entre receitas e custos assistenciais.
Mesmo sistema, realidades diferentes
Isso não significa que todas as cooperativas estejam na mesma situação. A Unimed Londrina, por exemplo, apresenta despesas assistenciais equivalentes a cerca de 92,8% da receita. Os custos cresceram 18,3%, diante de avanço de 11,3% da receita.
Em São José dos Campos, a proporção está próxima de 89%. A Unimed Goiânia também opera perto de 90%. Por outro lado, o movimento recente em Goiânia é mais favorável. A receita avançou 9,1%, enquanto as despesas assistenciais cresceram apenas 3,8%.
Na CNU, a relação está próxima de 72%. Juiz de Fora, por sua vez, aparece perto de 69%.
As diferenças refletem, em parte, a própria estrutura do Sistema Unimed. A marca reúne cooperativas e outras entidades com administrações, balanços, carteiras e mercados regionais próprios. Ao mesmo tempo, todas estão conectadas pelo sistema de intercâmbio e compartilham uma identidade nacional.
O perfil dos beneficiários também varia significativamente. Idosos representam pouco mais de 7% das carteiras médicas da CNU e da Seguros Unimed, enquanto superam 20% em Londrina, Divinópolis e São José dos Campos. Uma população mais envelhecida tende a exercer maior pressão sobre utilização e despesas médicas.
Maiores operações da amostra
Em julho, a CNU continuava sendo a maior operação da amostra, com 1,71 milhão de beneficiários médicos. Em seguida, aparecem a Unimed-BH, com 1,62 milhão, e a Seguros Unimed, com pouco mais de 1 milhão.
A estabilidade do conjunto ganha relevância após episódios recentes de dificuldades em algumas cooperativas, sobretudo no Rio de Janeiro. Esses casos levaram a ANS a discutir formas mais preventivas de acompanhamento do Sistema Unimed.
Ainda assim, os dados sugerem uma leitura mais equilibrada. Os problemas conhecidos em determinadas entidades não aparecem, neste momento, como uma deterioração generalizada das grandes operações analisadas. A carteira está estável e receitas e despesas seguem evoluindo de forma próxima.
A Unimed do Brasil informou ao Brazil Stock Guide que não havia porta-voz disponível para comentar o levantamento até a publicação desta reportagem.

Nota metodológica: o levantamento reúne 25 grandes entidades ligadas à marca Unimed e não representa uma consolidação contábil do Sistema Unimed. Os valores foram somados a partir das informações divulgadas pela ANS, sem eliminação de operações entre cooperativas. Além disso, as estimativas de crescimento agregado foram reconstruídas a partir das variações individuais informadas pela agência e devem ser consideradas aproximadas. Em operadoras que também possuem planos odontológicos, a tela da ANS utilizada no levantamento não permite separar integralmente receitas e despesas entre os segmentos médico e odontológico.








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