By Brazil Stock Guide – O Brasil impôs direitos antidumping por até cinco anos sobre importações de resina PET da Malásia e do Vietnã, ampliando a proteção a uma matéria-prima usada em garrafas, alimentos, cosméticos e medicamentos e colocando custos de embalagem no radar de grandes consumidores industriais.
A decisão, publicada nesta sexta-feira, estabelece uma tarifa de US$ 160,87 por tonelada para produtores vietnamitas. Na Malásia, a Recron terá uma cobrança bem menor, de US$ 24,28 por tonelada, enquanto os demais exportadores do país ficarão sujeitos a US$ 116,50 por tonelada.
A investigação foi aberta a pedido da Indorama Ventures Polímeros e da Alpek Polyester Pernambuco, consideradas pelo governo responsáveis por 100% da produção brasileira do tipo de PET analisado. O produto é amplamente utilizado na fabricação de embalagens para bebidas, alimentos, cosméticos e medicamentos.
Os números mostram uma rápida mudança no mercado. As importações de PET da Malásia e do Vietnã cresceram mais de 4.000% entre julho de 2019-junho de 2020 e julho de 2023-junho de 2024. No mesmo intervalo, o mercado brasileiro de PET avançou 22,5%. Apenas no último período analisado, as compras das duas origens subiram 95,9%, enquanto os preços CIF recuaram 12,1%.
O Departamento de Defesa Comercial concluiu que essas importações contribuíram significativamente para o dano enfrentado pelos produtores locais. Segundo a investigação, o produto importado entrou no Brasil abaixo dos preços da indústria doméstica em quase todos os períodos analisados, enquanto indicadores financeiros dos fabricantes brasileiros se deterioraram especialmente nos dois últimos anos da investigação.
No Vietnã, o governo calculou uma margem de dumping de US$ 160,87 por tonelada, equivalente a 16,1% do preço de exportação considerado na investigação. A principal empresa vietnamita selecionada, Billion Industrial, não respondeu ao questionário do governo brasileiro, levando o departamento a utilizar a melhor informação disponível para calcular a margem. Já a Recron cooperou com a investigação e passou por verificação in loco, resultando em uma margem bem menor, de 2,6%.
A disputa também mobilizou compradores de PET. A Ambev pediu formalmente para participar da investigação e foi reconhecida como parte interessada por ser usuária industrial da resina. O documento não indica, porém, que a companhia tenha defendido ou combatido a imposição das tarifas.
A medida cria agora um teste para a cadeia de embalagens: quanto da proteção concedida aos fabricantes domésticos poderá ser absorvido pelos importadores e quanto poderá aparecer nos custos de companhias de bebidas, alimentos e outros grandes consumidores de PET.












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