By Brazil Stock Guide — A Aeris Energy (B3: AERI3), fabricante brasileira de pás para turbinas eólicas controlada pela família Negrão, protocolou nesta terça-feira (3) um pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 1,52 bilhão em dívidas.
O processo foi apresentado à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo e representa uma nova tentativa de reorganizar as finanças da companhia, apenas 18 meses depois de uma renegociação que envolveu aproximadamente 90% de seu endividamento.
O plano já conta com a adesão de credores titulares de 42,18% dos créditos abrangidos, percentual superior ao mínimo de um terço necessário para apresentar o pedido. A Aeris terá 90 dias para obter o apoio de credores que representem mais da metade desses créditos, requisito para a homologação judicial.
A reestruturação poderá envolver alongamento de prazos, mudanças nas garantias e captação de novos recursos. As condições financeiras definitivas, incluindo eventuais descontos sobre as dívidas, ainda serão negociadas.
A situação financeira da companhia vinha se deteriorando em um mercado afetado pela redução dos investimentos em energia eólica. No segundo trimestre de 2026, a Aeris registrou dívida bruta de R$ 1,96 bilhão e dívida líquida de R$ 1,94 bilhão, enquanto seu caixa livre era de apenas R$ 17,3 milhões. O EBITDA ajustado acumulado em 12 meses estava negativo em R$ 149 milhões. No primeiro semestre, a fabricante registrou prejuízo líquido de R$ 290 milhões, ante R$ 251,3 milhões no mesmo período de 2025.
A nova negociação ocorre depois de a Aeris concluir, em maio de 2025, um acordo com bancos e debenturistas para reestruturar cerca de 90% de suas dívidas. A operação alongou os vencimentos e reduziu as exigências financeiras de curto prazo, mas não foi suficiente para restabelecer o equilíbrio da companhia. Em agosto deste ano, a fabricante já havia recorrido à Justiça para obter proteção temporária contra medidas de cobrança enquanto negociava com os credores.
Fundada no Ceará, a Aeris é controlada por integrantes da família Negrão. Vera Sarnes Negrão aparece como maior acionista individual, com participação de aproximadamente 33,3%, enquanto Alexandre Sarnes Negrão, diretor-presidente da companhia, detém cerca de 12,7%. Gisela Sarnes Negrão Assis e Fernanda Sarnes Negrão também figuram entre os principais acionistas. A companhia tem ações negociadas na B3 desde 2020.
A crise financeira reflete também as dificuldades enfrentadas pela indústria brasileira de energia eólica. Nos últimos anos, a redução da demanda por novos parques, o cancelamento de contratos e os juros elevados afetaram a carteira de pedidos dos fabricantes de equipamentos. A Aeris tem buscado ampliar suas exportações e ajustar sua capacidade produtiva ao volume de encomendas, mas continua pressionada pelos custos financeiros e pela menor atividade industrial.
Segundo o fato relevante, o plano de recuperação abrange créditos não vinculados aos fornecimentos operacionais habituais, incluindo saldos sem cobertura de garantias reais ou fiduciárias. Obrigações tributárias e trabalhistas estão excluídas.
A companhia afirma que pretende preservar os empregos, os contratos com fornecedores e a fabricação de pás eólicas. O pedido foi aprovado pelo Conselho de Administração e ainda será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia extraordinária.












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