Meta Pixel

LATAM lucra US$ 441 milhões no 3T26, apesar da pressão do combustível sobre as margens

Lucro líquido cresce 16,3% e receita avança 18,4%, mas alta de 60,9% nas despesas com combustível reduz a rentabilidade operacional e leva companhia a cortar projeções para 2026.

By Brazil Stock Guide — A LATAM Airlines Group (NYSE: LTM) registrou lucro líquido de US$ 441 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 16,3% em relação ao mesmo período do ano passado.

A receita operacional avançou 18,4%, para US$ 4,57 bilhões, impulsionada pelo aumento das tarifas, pela expansão da capacidade e pelo desempenho do segmento premium. A alta dos combustíveis, entretanto, pressionou os custos e reduziu a rentabilidade operacional da companhia.

“O modelo é resiliente, o modelo suporta um choque bastante relevante”, afirmou Jerome Cadier, CEO da LATAM Brasil, durante a apresentação dos resultados à imprensa nesta terça-feira (3). Segundo o executivo, a companhia enfrenta há sete meses uma crise provocada pelos preços elevados do combustível de aviação, que deve continuar pressionando o setor em 2027.

O EBITDA ajustado recuou 4,7%, para US$ 1,095 bilhão, enquanto a margem EBITDA caiu de 29,8% para 24%. O resultado operacional ajustado diminuiu 17,9%, para US$ 573 milhões, com margem de 12,5%, ante 18,1% um ano antes. As despesas com combustível saltaram 60,9%, para US$ 1,57 bilhão, refletindo uma elevação de 52,1% no preço médio do querosene de aviação, incluindo as operações de proteção de preços.

Durante a coletiva, o diretor financeiro do grupo, Ricardo Bottas, afirmou que a variação dos preços do combustível, isoladamente, acrescentou US$ 520 milhões aos custos do trimestre. A LATAM conseguiu compensar aproximadamente 80% desse impacto, com US$ 410 milhões em receitas adicionais decorrentes de aumentos de preços e receitas unitárias. A estratégia permitiu preservar uma margem operacional de dois dígitos, embora significativamente inferior à registrada em 2025.

A expansão do lucro líquido, apesar da queda da rentabilidade operacional, foi favorecida pela redução das despesas financeiras e dos impostos. Os gastos financeiros diminuíram 29%, para US$ 183 milhões, enquanto a despesa com imposto de renda caiu de US$ 70 milhões para US$ 31 milhões. O lucro líquido ajustado atribuível aos acionistas, que exclui determinados efeitos extraordinários, teve crescimento bem mais modesto, de 0,9%, para US$ 413 milhões.

As receitas com passageiros cresceram 17,8%, para US$ 4 bilhões, enquanto a operação de cargas avançou 19,5%, para US$ 483 milhões. A LATAM transportou 23,5 milhões de passageiros no trimestre, alta de 2,7%, e ampliou sua capacidade em 7,7%. A taxa de ocupação caiu de 85,4% para 83,7%. O segmento premium apresentou crescimento de receitas de 23%, superando o desempenho geral do transporte de passageiros.

Projeções reduzidas

A pressão dos combustíveis levou a LATAM a revisar suas projeções para 2026. A companhia reduziu a estimativa de EBITDA ajustado de US$ 4,1 bilhões a US$ 4,4 bilhões para uma faixa de US$ 3,9 bilhões a US$ 4,05 bilhões. A margem operacional ajustada esperada passou de 12% a 13% para 10,5% a 11,5%. Em contrapartida, a projeção de receita foi elevada para US$ 17,6 bilhões a US$ 17,8 bilhões.

A revisão considera um preço de referência de US$ 180 por barril de combustível de aviação no quarto trimestre, contra US$ 130 previstos anteriormente. Segundo Bottas, o aumento dos preços deve representar aproximadamente US$ 2 bilhões em custos adicionais para o grupo ao longo de 2026. Ainda assim, a companhia espera gerar pelo menos US$ 1,2 bilhão em fluxo de caixa livre ajustado após investimentos e pagamentos financeiros.

Jerome Cadier afirmou que a empresa continua comprometida com o crescimento, mas demonstrou cautela em relação a 2027. Além dos preços elevados do combustível, a volatilidade cambial, a implementação da reforma tributária e eventuais mudanças nas regras de jornada de trabalho representam fatores adicionais de incerteza. O executivo afirmou que mais de 60% dos custos das empresas aéreas no Brasil são dolarizados e avaliou que as mudanças tributárias poderão elevar os preços das passagens e afetar a demanda.

A LATAM também fez ajustes pontuais em sua expansão doméstica no Brasil. A projeção de crescimento da capacidade para 2026 passou de 8% a 9% para 7,5% a 8,5%. Cadier afirmou que a companhia não eliminou bases ou rotas, concentrando os ajustes na redução de frequências em ligações com várias operações diárias. Para 2027, o executivo disse esperar novas adequações, mas sem mudanças radicais na malha aérea.

Frota e investimentos

A companhia mantém seus planos de renovação e ampliação da frota. Em outubro, recebeu os dois primeiros jatos Embraer E195-E2, cuja operação comercial está prevista para começar em 30 de novembro no mercado doméstico brasileiro. A fase inicial contempla 14 aeronaves e 42 rotas. Segundo Cadier, a maior eficiência no consumo de combustível e a capacidade de atender mercados de menor densidade tornam o modelo particularmente relevante no atual ambiente de custos elevados.

A LATAM encerrou o trimestre com 390 aeronaves e projeta alcançar 409 até dezembro, 426 no fim de 2027 e 452 em 2028. Em reconhecimento à evolução de sua estrutura financeira, S&P Global Ratings e Fitch Ratings elevaram a classificação de crédito corporativo da companhia de BB para BB+, com perspectiva estável. Os títulos garantidos da LATAM receberam classificação de grau de investimento pelas duas agências.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe um comentário