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A promessa adiada da América Latina

Relatório da McKinsey mostra que a região tem recursos, energia e mercado, mas só elevará a produtividade se transformar commodities em cadeias mais sofisticadas.

No relatório “Aproveitando o momento: a oportunidade de produtividade da América Latina”, a consultoria McKinsey parte de um diagnóstico conhecido, mas coloca números duros sobre ele: a América Latina cresce pouco porque produz pouco por trabalhador. Nos últimos 25 anos, a região avançou 2,3% ao ano, contra 3% da média global. Pior: 65% desse crescimento veio da expansão da força de trabalho, um bônus demográfico que está perto do fim.

O buraco é maior do que parece. A produtividade latino-americana caiu de 35% para 16% do nível dos Estados Unidos entre 2011–13 e 2021–23. Em linguagem simples, são necessários seis trabalhadores latino-americanos para gerar a produção de um americano — e cerca de dez em setores como comércio, turismo e agricultura.

A oportunidade, porém, não está em um slogan sobre “potencial”. A McKinsey estima que três temas — revitalização industrial, digitalização e recursos naturais — podem adicionar US$ 1,1 trilhão a US$ 2,3 trilhões ao PIB regional até 2040. Sete setores concentram a aposta: manufatura avançada, combustíveis e produtos industriais de baixo carbono, serviços digitais, data centers, agroalimentos, óleo e gás e minerais críticos. Juntos, eles podem gerar até US$ 1,2 trilhão em receitas anuais adicionais, mas exigem US$ 1,7 trilhão a US$ 2,8 trilhões em investimento acumulado.

Como chegar lá? O próprio relatório aponta o caminho: investir mais e melhor, abrir novos corredores comerciais, aprofundar integração regional, simplificar regulação e qualificar a força de trabalho. Hoje, só 15% das exportações latino-americanas são intrarregionais, contra 60% na União Europeia. Sem escala, cadeias regionais e infraestrutura comum, a região continuará vendendo vantagem natural como commodity, não como produtividade.

O Brasil está no centro dessa equação. Tem agro, petróleo, minério, energia renovável, biocombustíveis, serviços de TI e data centers. Mas o teste não é listar vantagens. É convertê-las em bens mais sofisticados, processamento, tecnologia, logística e capital humano. A América Latina já sabe onde está a oportunidade. O que ainda precisa provar é que consegue capturá-la.


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