By Brazil Stock Guide – Usiminas (B3: USIM5) mais que triplicou o lucro líquido no segundo trimestre e reduziu em R$ 200 milhões o ponto médio de seu plano de investimentos para 2026. A melhora foi impulsionada por preços maiores, produtos de maior valor agregado e ganhos de eficiência na siderurgia, apesar da queda nas vendas de aço.
O lucro líquido alcançou R$ 428 milhões, alta de 236% sobre o mesmo período do ano passado. O Ebitda ajustado avançou 86%, para R$ 761 milhões, enquanto a margem dobrou para 12,4%, ante 6,2%. A receita líquida, porém, caiu 7%, para R$ 6,13 bilhões.
“A entrada de aço e de produtos manufaturados importados continua pressionando a utilização da capacidade instalada da indústria nacional”, disse a companhia. Segundo a Usiminas, a concorrência estrangeira permanece elevada mesmo após as medidas de defesa comercial adotadas pelo governo.
Preços compensam volumes menores
A siderurgia respondeu pela maior parte da melhora. O Ebitda ajustado da unidade cresceu 26% sobre o primeiro trimestre, para R$ 688 milhões, enquanto a margem subiu de 10% para 13%.
Preços e mix geraram impacto positivo de R$ 234 milhões no resultado trimestral. Esse ganho mais do que compensou efeitos negativos de R$ 126 milhões relacionados aos custos e de R$ 13 milhões decorrentes do menor volume vendido. A receita líquida por tonelada aumentou 5%, enquanto o custo por tonelada subiu cerca de 1,6%.
O resultado também incluiu R$ 56,8 milhões provenientes da recuperação de valores de um plano de previdência. Excluído esse efeito extraordinário, o Ebitda da siderurgia teria ficado próximo de R$ 631 milhões, ainda cerca de 16% acima do primeiro trimestre.
A produção de aço bruto aumentou 10% na comparação trimestral, para 803 mil toneladas, mas as vendas caíram 2%, para 989 mil toneladas. Em relação ao ano anterior, o volume vendido recuou 8%, mostrando que a recuperação da rentabilidade veio principalmente de preços, mix e eficiência — e não de maior demanda.
Proteção ajuda preços, mas não recupera volumes
O Brasil adotou cotas tarifárias para limitar o avanço das importações. Dentro dos volumes definidos pelo governo, o aço paga a tarifa regular, geralmente entre 9% e 16%. Acima das cotas, a alíquota sobe para 25%.
O governo também aplicou direitos antidumping a produtos específicos. Em fevereiro, foram estabelecidas medidas definitivas, válidas por até cinco anos, sobre laminados planos a frio e laminados revestidos provenientes da China, produtos relevantes para a Usiminas.
As barreiras ajudam a reduzir a diferença entre os preços do aço importado e do nacional, criando espaço para a recuperação da receita por tonelada. Ainda assim, a companhia afirma que as compras externas continuam elevadas, especialmente as procedentes da Ásia.
Outra preocupação é a chamada importação indireta. Em vez de chapas de aço, entram no Brasil veículos, autopeças, máquinas e equipamentos já fabricados no exterior. Como o metal está incorporado ao produto acabado, as medidas aplicadas diretamente ao aço não protegem integralmente a produção brasileira.
Mineração deve perder força
Na mineração, as vendas cresceram 27% sobre o trimestre anterior, para 2,47 milhões de toneladas. O Ebitda ajustado, porém, caiu 36%, para R$ 71 milhões, e a margem recuou de 14% para 8%, pressionada pelos custos logísticos.
Segundo a Usiminas, o frete marítimo na rota entre o Brasil e a China equivale atualmente a cerca de 33% do preço internacional do minério de ferro, aproximadamente dez pontos percentuais acima da média histórica recente.
Para o terceiro trimestre, a companhia prevê estabilidade no resultado operacional da siderurgia, desconsiderados os efeitos extraordinários, e queda na mineração. A Usiminas espera vender mais aço no mercado doméstico e elevar preços para clientes industriais, mas também projeta custos maiores com carvão, coque e placas.
A companhia encerrou junho com caixa líquido de R$ 499 milhões e fluxo de caixa livre positivo de R$ 35 milhões. Também reduziu sua projeção de investimentos para 2026 para uma faixa entre R$ 1,2 bilhão e R$ 1,4 bilhão, ante estimativa anterior de R$ 1,4 bilhão a R$ 1,6 bilhão. A revisão representa um corte de R$ 200 milhões, ou aproximadamente 13%, no ponto médio do plano anual.

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