Por Brazil Stock Guide — Os ativos brasileiros disparavam no exterior na manhã desta segunda-feira, indicando uma abertura de forte alta em São Paulo depois de Flávio Bolsonaro terminar o primeiro turno da eleição presidencial à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os ADRs da Petrobras avançavam cerca de 11% no pré-market de Nova York. Itaú e Bradesco chegaram a subir aproximadamente 12%, enquanto o Nubank ganhava mais de 10% e a XP avançava cerca de 15%. A Vale subia perto de 6%.
O iShares MSCI Brazil ETF, conhecido pelo ticker EWZ e amplamente utilizado por investidores internacionais como uma referência para o mercado acionário brasileiro, chegou a subir quase 12%.
A disparada coloca ao alcance do mercado um marco histórico. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, encerrou a sexta-feira aos 192.114 pontos, após alta de 2,63%. Uma valorização pouco superior a 4% seria suficiente para levar o índice acima dos 200 mil pontos pela primeira vez.
O mercado de câmbio também precificava uma forte redução do prêmio de risco do Brasil. As negociações no exterior apontavam para valorização do real, com uma cotação implícita próxima de R$ 5,02 por dólar, ante R$ 5,216 no fechamento de sexta-feira.
O movimento ocorre após um desempenho de Bolsonaro superior ao esperado no primeiro turno. O candidato recebeu 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno em 25 de outubro.
O resultado foi consideravelmente mais favorável à direita do que indicavam as principais pesquisas na reta final da campanha. Partidos conservadores também avançaram de forma expressiva no Congresso, reforçando a reação inicial do mercado.
O Partido Liberal, o PL de Bolsonaro, elegeu a maior bancada da Câmara, com 120 deputados, e deverá ocupar 28 das 81 cadeiras do Senado a partir de 2027.
Para os investidores, essa mudança na composição do Congresso pode ser quase tão importante quanto o resultado da eleição presidencial. Uma presença mais forte de partidos de centro-direita e conservadores poderia dar a um eventual governo Bolsonaro maior espaço para promover ajuste fiscal, contenção de gastos, privatizações e outras reformas favoráveis ao mercado. Também poderia reduzir o custo político para a aprovação de medidas econômicas.
Analistas afirmam que essa reprecificação inicial pode se traduzir em uma alta de aproximadamente 7% a 8% das ações brasileiras e em uma valorização de 4% a 5% do real.
A Petrobras é um dos sinais mais claros de que o rali desta segunda-feira está sendo impulsionado pela política doméstica, e não pelas commodities. As ações da estatal disparavam mesmo com os preços internacionais do petróleo em queda, indicando que os investidores estão reduzindo o desconto associado ao risco de interferência política, à política de preços dos combustíveis e à alocação de capital da companhia.
Bancos e fintechs brasileiros também estavam entre os maiores destaques, refletindo a expectativa de que uma redução do risco político e fiscal possa fortalecer o real, comprimir os prêmios de juros e melhorar as perspectivas para os ativos domésticos.













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