Por Brazil Stock Guide — As pesquisas eleitorais chegaram ao primeiro turno de 2026 muito mais próximas do resultado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que do desempenho de Flávio Bolsonaro. O candidato do PL terminou a votação com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, uma diferença de 1,87 ponto percentual.
Um levantamento do BTG Pactual que comparou as últimas pesquisas de dez institutos com o resultado das urnas mostra que, na média simples, as sondagens subestimaram Lula em apenas 0,28 ponto percentual, mas ficaram 4,33 pontos abaixo do resultado de Flávio Bolsonaro. O padrão é mais relevante do que a média: todos os dez levantamentos apontaram para Bolsonaro uma votação inferior à registrada nas urnas, enquanto, no caso de Lula, os desvios se distribuíram para cima e para baixo.
A diferença permanece relevante mesmo quando se levam em conta as margens de erro de cada levantamento. Para Lula, seis das dez pesquisas ficaram dentro das respectivas margens: Gerp, Quaest, PoderData, Datafolha, Real Time Big Data e Nexus.
Os institutos AtlasIntel, Futura, CNT/MDA e Meio/Ideia ficaram além das margens declaradas.
Para Flávio Bolsonaro, o quadro foi bem diferente. O Gerp ficou claramente dentro da margem, com 46%, apenas 1,03 ponto abaixo do resultado final e margem de ±2 pontos. Quaest e Futura ficaram praticamente no limite: a Quaest apontou 45%, diferença de 2,03 pontos para uma margem de ±2; a Futura marcou 44,8%, diferença de 2,23 pontos para uma margem de ±2,2. Como os percentuais divulgados são arredondados, diferenças de poucos centésimos não permitem tratar esses casos como desvios estatisticamente relevantes para além da margem.
Nos outros sete levantamentos, a distância em relação ao desempenho de Flávio foi claramente maior do que a margem declarada. O PoderData marcou 43%, 4,03 pontos abaixo do resultado, para margem de ±1,5. A AtlasIntel apontou 44,1%, 2,93 pontos abaixo, com margem de ±1. O Datafolha registrou 42%, diferença de 5,03 pontos, com margem de ±2. A Real Time Big Data marcou 41%, 6,03 pontos abaixo, também com margem de ±2. A CNT/MDA apontou 42,1%, 4,93 pontos abaixo, para margem de ±2,2.

As maiores distâncias apareceram em Nexus (contratada pelo próprio BTG) e Meio/Ideia. Depois de convertidos pelo BTG para votos válidos, os levantamentos indicavam 39,4% e 39,6% para Flávio, respectivamente, 7,63 e 7,43 pontos abaixo das urnas. Nesses dois casos, há uma ressalva metodológica: os percentuais foram recalculados para votos válidos, enquanto as margens divulgadas se referem às pesquisas originais.
Isso não significa, porém, que oito pesquisas tenham apontado uma liderança estatisticamente significativa de Lula. Em vários levantamentos, a diferença entre os dois estava dentro da margem de erro e era apresentada como empate técnico. Por isso, o dado mais relevante não é simplesmente dizer que as pesquisas indicaram o candidato errado na frente, mas que praticamente todas captaram uma parcela menor do voto de Flávio Bolsonaro do que aquela que apareceu nas urnas.
Considerando a soma dos erros absolutos de Lula e Flávio Bolsonaro, o Gerp foi o instituto mais próximo do resultado, com desvio combinado de 2,19 pontos. O levantamento apontava Flávio com 46% e Lula com 44%; ambos ficaram dentro da margem de ±2 pontos. A Quaest veio logo depois, com erro agregado de 2,87 pontos.
A margem de erro, porém, não deve ser tratada como uma nota de aprovação ou reprovação de uma pesquisa. Ela mede principalmente a incerteza amostral e não incorpora necessariamente fatores como mudanças de opinião depois do fim do campo, diferenças de comparecimento, modelos de ponderação, dificuldade de alcançar determinados grupos ou efeitos do método de coleta.
Também é preciso considerar que os levantamentos foram realizados em datas diferentes. Uma mudança real do eleitorado entre o fim das entrevistas e a votação aparece posteriormente como diferença entre pesquisa e urna, embora não seja propriamente um erro amostral.













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