By Brazil Stock Guide – A Petrobras assinou contratos de partilha de produção para oito blocos exploratórios offshore na Costa do Marfim, assumindo participação de 90% e a operação de todas as áreas, em mais um passo de sua estratégia de buscar novas reservas fora do Brasil.
Os acordos foram assinados nesta quinta-feira, em Abidjan, entre a Petrobras, por meio de sua subsidiária integral Petrobras Netherlands B.V., o governo marfinense e a estatal local PETROCI Holding. A PETROCI ficará com os 10% restantes de participação nos blocos.
A Petrobras não informou os valores envolvidos, os compromissos mínimos de investimento nem o cronograma previsto para aquisição sísmica ou perfuração de poços.
A operação dá à companhia uma posição relevante em uma nova fronteira exploratória da África Ocidental num momento em que a reposição de reservas voltou ao centro da estratégia da estatal.
Depois de anos em que sua expansão de produção esteve fortemente concentrada no pré-sal brasileiro, a Petrobras vem reconstruindo seu portfólio internacional de exploração, com atenção especial a regiões do Atlântico que apresentam características geológicas semelhantes às bacias brasileiras.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que as áreas na Costa do Marfim estão localizadas em uma região de elevado potencial exploratório e com características geológicas semelhantes às de bacias sedimentares nas quais a companhia acumulou décadas de experiência offshore.
De nove blocos para oito
A assinatura conclui um processo iniciado há mais de um ano. Em junho de 2025, a Petrobras informou que o governo da Costa do Marfim havia aprovado uma declaração de interesse da companhia envolvendo nove blocos offshore, concedendo exclusividade para a negociação dos contratos.
O acordo anunciado nesta quinta-feira, porém, envolve oito áreas. A Petrobras não explicou no comunicado o que ocorreu com o nono bloco originalmente incluído nas negociações. A diferença não altera, no entanto, o sentido mais amplo do movimento: a estatal está ampliando sua exposição exploratória justamente quando a administração passa a dedicar mais atenção aos recursos que poderão sustentar a produção depois da atual fase de expansão do pré-sal.
No Plano de Negócios 2026-2030, a Petrobras reservou US$ 7,1 bilhões para atividades de exploração, incluindo a Margem Equatorial brasileira e ativos internacionais. A companhia espera que sua produção de petróleo alcance um pico próximo de 2,7 milhões de barris por dia em 2028 dentro do atual plano de cinco anos, o que aumenta a importância da descoberta e do desenvolvimento de novas reservas para sustentar a produção na próxima década.
Os contratos na Costa do Marfim ainda representam uma aposta exploratória, e não uma história de produção no curto prazo. Não há, por enquanto, descobertas anunciadas, projetos de desenvolvimento ou geração de caixa associados às novas áreas. Mas, ao assumir 90% e a operação dos oito blocos, a Petrobras passa a controlar o ritmo e a intensidade com que pretende testar uma de suas mais novas fronteiras exploratórias internacionais.












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