By Brazil Stock Guide – A operadora Assim Saúde negocia uma possível venda de controle ao empresário Rafael Motta em meio à redução de sua carteira de beneficiários, prejuízo elevado e necessidade de recompor capital regulatório, mostram dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e demonstrações financeiras da operadora.
A própria operadora confirmou ao Brazil Stock Guide que existe uma negociação, mas não confirmou comprador, preço ou estrutura financeira da transação. Na semana passada, o jornal Valor Econômico noticiou inicialmente que a operação envolveria cerca de R$ 300 milhões, além da assunção de dívidas.
O empresário Rafael Motta atua há mais de duas décadas nos mercados de benefícios, seguros e saúde corporativa. Fundador do Grupo Case, ele vendeu o negócio à Dasa em 2021 e passou a comandar a Dasa Empresas, unidade voltada à gestão de saúde para clientes corporativos. No fim de 2024, os fundadores da Case recompraram da Dasa as operações de corretagem e consultoria por R$ 255 milhões.
Poucos meses depois, em fevereiro de 2025, a Case foi adquirida pela americana Arthur J. Gallagher & Co., que manteve Motta à frente da equipe no Brasil. A eventual compra da Assim representaria um movimento diferente em sua trajetória: a entrada no controle de uma operadora de planos de saúde de grande porte, com exposição direta às exigências de capital, solvência e assistência impostas pela ANS.
Procurada pelo BSG, a ANS afirmou que “não há processo administrativo em tramitação relativo à operação mencionada”. A agência acrescentou que procedimentos dessa natureza são sigilosos e que não pode fornecer informações sobre eventual processo envolvendo uma operadora.
A negociação da Assim ocorre em um patamar bem inferior às avaliações atribuídas ao grupo poucos anos atrás. Por volta de 2022, quando empresas de saúde eram negociadas a múltiplos mais elevados, a Assim chegou a ser avaliada em cerca de R$ 2 bilhões, com referências de mercado próximas de 15 vezes.
Os valores não são diretamente comparáveis. Não está claro se os R$ 2 bilhões e a transação atualmente discutida consideram o mesmo conjunto de ativos. Também permanece indefinido se uma eventual venda inclui apenas a operadora ou hospitais, clínicas, imóveis e outras empresas ligadas ao Grupo Assim.
Dados mais recentes da ANS mostram que a Assim mantinha 435,4 mil beneficiários médico-hospitalares, além de 81.929 vínculos exclusivamente odontológicos. A própria Assim reconheceu em seu relatório de administração que a carteira total de beneficiários encolheu cerca de 9,5% em 2025. A sinistralidade encerrou 2025 em 85,9%.
Um dos principais contratos da operadora é o atendimento aos servidores públicos da cidade do Rio de Janeiro. Além da Assim Saúde, a Prefeitura do Rio, por meio do Previ-Rio, que faz a gestão do plano de saúde, também oferece os produtos das operadoras Klini e Intermédica, que é ligada à Hapvida.
Prejuízo em 2025
Os resultados financeiros da Assim também se deterioraram. A operadora registrou R$ 2,55 bilhões em receitas com operações de assistência à saúde em 2025, crescimento de 7,8%, mas encerrou o exercício com prejuízo líquido de R$ 137,8 milhões, depois de lucro de R$ 37,5 milhões em 2024.
A maior parte do passivo está ligada à própria atividade assistencial. A companhia carregava R$ 628,6 milhões em provisões técnicas no fechamento de 2025, incluindo R$ 242,1 milhões de eventos a liquidar com outros prestadores e aproximadamente R$ 250 milhões em provisões para eventos ocorridos e ainda não avisados.
No ano passado, a operadora apresentou à ANS um Termo de Assunção de Obrigações Econômico-Financeiras, o TAOEF, após a identificação de insuficiência de capital regulatório e de ativos garantidores. O termo, admitido pela agência, tem vigência de 48 meses e prevê medidas como redução de despesas administrativas e revisão de contratos com clientes, fornecedores e prestadores.
O balanço auditado mostra ainda R$ 683,7 milhões de passivos circulantes contra R$ 576,8 milhões de ativos circulantes no fim de 2025. O patrimônio líquido caiu de R$ 223,5 milhões para R$ 85,8 milhões em um ano. No painel mais recente consultado pelo BSG na ANS, o patrimônio líquido já aparece em cerca de R$ 68,9 milhões.
A Assim foi construída dentro de uma estrutura verticalizada criada pelo médico Aziz Chidid, fundador do Memorial Saúde e um dos fundadores da operadora, falecido em 2020. A empresa está nas mãos hoje de seus herdeiros.












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