By Brazil Stock Guide – O BNDES e a Finep selecionaram a Monashees, uma das mais conhecidas gestoras de venture capital do país, para administrar um fundo de inteligência artificial com meta de captar até R$ 500 milhões.
O veículo poderá receber até R$ 205 milhões de investidores públicos âncora, enquanto o restante deverá ser captado junto a investidores privados. A iniciativa integra um esforço mais amplo do governo para desenvolver capacidades próprias em inteligência artificial e reduzir a dependência de tecnologias desenvolvidas no exterior.
A Monashees foi escolhida após uma chamada pública que recebeu 17 propostas, segundo BNDES e Finep. A proposta selecionada ainda passará por análise, due diligence e estruturação antes da constituição formal do fundo e do início dos investimentos.
A escolha coloca uma das mais tradicionais casas de venture capital da América Latina no centro da estratégia brasileira para desenvolver uma indústria doméstica de inteligência artificial.
Fundada em São Paulo em 2005 por Eric Acher e Fabio Igel, a Monashees esteve entre os primeiros investidores de algumas das empresas de tecnologia mais conhecidas do Brasil e da América Latina, incluindo a 99, a MadeiraMadeira e o VivaReal. Seu portfólio também já incluiu empresas como Loggi, Neon, Nomad, Petlove e Jusbrasil.
Acher, que passou pela General Atlantic e pela McKinsey, segue como cofundador e managing partner da Monashees e lidera a estratégia de investimentos da gestora. Igel, integrante da família ligada ao grupo Ultra, deixou uma função executiva em tempo integral em 2020 e permanece como partner emeritus e conselheiro da casa.
A Monashees se apresenta como a maior gestora de venture capital do Brasil e mantém operações em São Paulo, Cidade do México e San Francisco. Registros regulatórios nos Estados Unidos mostram que a gestora tinha cerca de US$ 1,4 bilhão em ativos regulatórios sob gestão em 31 de março de 2026.
A inteligência artificial também passou a ocupar espaço mais explícito na estratégia de investimentos da gestora. A Monashees já investiu em empresas ligadas à tecnologia e mantém um programa de coinvestimento com o Google AI Futures Fund voltado a startups de inteligência artificial em estágios pre-seed e seed.
Capital público como âncora
No novo fundo brasileiro, a BNDESPAR, braço de participações do BNDES, poderá comprometer até R$ 125 milhões, enquanto a Finep, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o FNDCT, poderá aportar até R$ 80 milhões.
Juntas, as duas instituições poderão fornecer até R$ 205 milhões. O restante necessário para que o fundo alcance a meta de R$ 500 milhões terá de ser captado junto a outros investidores.
A participação de cada investidor âncora ficará limitada a 25% do fundo. A estrutura busca usar os recursos públicos como capital catalisador, atraindo investidores privados em vez de deixar o governo como principal financiador do veículo.
O fundo terá como alvo startups brasileiras cuja vantagem competitiva dependa da inteligência artificial e nas quais a tecnologia esteja no centro do produto, do serviço ou do modelo de negócios.
Entre as empresas elegíveis estão aquelas que precisam de capital para desenvolver bases de dados próprias, modelos de inteligência artificial, infraestrutura computacional e equipes técnicas especializadas. Companhias que apenas utilizam ferramentas comerciais de IA de forma acessória não se enquadram no perfil de investimento definido por BNDES e Finep.
O objetivo, portanto, não é simplesmente estimular empresas brasileiras a consumir mais inteligência artificial, mas financiar negócios capazes de desenvolver tecnologia, conhecimento e propriedade intelectual próprios.
O fundo faz parte do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, o PBIA, estratégia do governo voltada a ampliar as capacidades tecnológicas do país e usar a IA para aumentar a produtividade, melhorar serviços públicos e gerar benefícios econômicos e sociais.
O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, afirmou que a iniciativa deverá ajudar a criar novas empresas de tecnologia, reter profissionais qualificados no país e elevar a produtividade da economia brasileira.
“Esse fundo criará condições para que novas empresas inovadoras surjam, para que talentos sejam desenvolvidos e retidos no país e para que a produtividade da economia brasileira aumente”, afirmou Mercadante.
O presidente da Finep, Luiz Antonio Elias, disse que o desafio do Brasil vai além da adoção de tecnologias desenvolvidas em outros países.
“A inteligência artificial é uma das tecnologias mais transformadoras do nosso tempo, e o desafio do Brasil vai além de utilizá-la: precisamos desenvolver capacidades próprias para criar e aplicar essas soluções de acordo com nossos interesses estratégicos”, afirmou Elias.











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