By Brazil Stock Guide – A operadora de planos de saúde Amil encerrou as negociações com Bain Capital e Advent International para a entrada dos fundos na companhia, depois que diferenças sobre o desenho da parceria e o espaço dos investidores na condução do negócio impediram um acordo.
Bain e Advent chegaram a se unir nas conversas, mas buscavam uma presença maior na estrutura de decisão da Amil do que José Seripieri Junior, dono da companhia e presidente do Conselho de Administração, considerava adequado para o projeto que pretende construir para a empresa.
Junior buscava um parceiro com quem pudesse compartilhar o próximo ciclo de crescimento da Amil, sem abrir mão de uma posição central nas decisões estratégicas. Com as visões sobre esse equilíbrio permanecendo distantes, prevaleceu a decisão de não avançar com a transação.
Houve também tentativa de venda da Amil em bloco.
A melhora operacional da companhia também mudou a dinâmica da negociação. A Amil tem cerca de 3,5 milhões de clientes e trabalha com a expectativa de encerrar o ano com Ebitda próximo de R$ 2,5 bilhões, desempenho que reduziu a necessidade de fechar rapidamente uma operação.
Com a empresa em uma posição financeira mais confortável, Junior ganhou espaço para avaliar uma eventual parceria sem pressão de tempo e sem precisar aceitar uma estrutura que considerasse inadequada para o futuro da Amil.
Em comunicado enviado aos colaboradores nesta quinta-feira, 10 de setembro, o Conselho de Administração confirmou o encerramento das negociações e afirmou que o processo terminou “sem qualquer mudança societária na companhia”.
A empresa disse ter recebido propostas que iam desde a aquisição de uma participação até 100% da Amil. A companhia não identificou Bain e Advent no comunicado nem detalhou as condições discutidas durante o processo.
A Amil, contudo, deixou claro que a decisão não significa o fechamento definitivo da porta para novos investidores. Segundo o documento, a empresa continuará aberta a propostas de investimento minoritário, desde que preservados seus princípios e valores.
O desfecho reforça uma mudança importante na posição da companhia. Depois de cerca de dois anos e meio de recuperação, a discussão deixou de ser sobre a necessidade de encontrar um investidor e passou a ser sobre qual parceiro pode agregar ao próximo ciclo da Amil sem alterar o equilíbrio de comando desejado por Junior.
Na prática, o empresário testou o interesse do mercado, avaliou propostas e optou por preservar flexibilidade estratégica diante da melhora do negócio. A eventual entrada de um sócio continua possível, mas sem o senso de urgência que marcaram as conversas nos últimos seis meses.












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