By Brazil Stock Guide – A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) colocou a Select Operadora de Plano de Saúde sob regime especial de direção técnica após identificar “anormalidades administrativas e assistenciais graves” que, segundo o regulador, colocam em risco a continuidade do atendimento aos beneficiários.
A medida foi aprovada pela diretoria colegiada da ANS em 26 de agosto e publicada nesta terça-feira, 1º de setembro, no Diário Oficial da União.
A resolução não detalha os problemas específicos que levaram à decisão. Dados da própria ANS, contudo, mostram uma forte alta das reclamações contra a operadora no período que antecedeu a medida.
As Notificações de Intermediação Preliminar, ou NIPs, no segmento médico-hospitalar passaram de 121 no segundo trimestre de 2025 para 955 no mesmo período deste ano, aumento de quase oito vezes.
A alta ocorreu em meio a uma rápida expansão da Select. A média de beneficiários chegou a quase 98 mil no segundo trimestre, ante cerca de 33 mil um ano antes.
Os dados não permitem concluir que as reclamações tenham sido a causa direta da direção técnica, relação que não é estabelecida pela resolução da ANS.
A velocidade da expansão já havia sido destacada pela própria companhia. A Select encerrou 2025 com 82.695 beneficiários, crescimento de 637% em um ano.
A empresa disse em suas demonstrações financeiras que a expansão exigiu um amplo redimensionamento da rede assistencial e do corpo técnico. Também afirmou que, em algumas situações, precisou fazer adiantamentos a prestadores para garantir atendimento aos beneficiários.
O crescimento veio acompanhado de pressão financeira. A Select registrou prejuízo líquido de R$ 22,1 milhões em 2025 e terminou o ano com patrimônio líquido negativo de R$ 17,3 milhões.
O relatório dos auditores independentes apontou ainda que a operadora não mantinha seus níveis de ativos garantidores e de Capital Baseado em Risco dentro dos limites estabelecidos pela ANS ao final de 2025. Os auditores relacionaram o desenquadramento aos efeitos da expansão operacional.
A própria Select afirmou nas notas explicativas que encerrou o ano em situação de “desequilíbrio econômico-financeiro” e que pretendia sanear o problema ao longo de 2026.
Em busca de um investidor
A companhia também informou que negociava a entrada de um novo investidor. A operação, caso concluída, seria submetida à aprovação regulatória. O documento não identifica o potencial investidor nem informa o valor de um eventual aporte.
A transformação da Select começou em 2023, quando a antiga Planmed passou a uma nova gestão ligada à holding Tiger, grupo com atuação em corretagem de seguros e administração de benefícios.
Criada em 1991, a Planmed foi posteriormente rebatizada como Select e passou a adotar uma estratégia de expansão nacional.
A Tiger também reunia empresas como a administradora de benefícios Mount Hermon e ligações com a corretora Allcross. Formalmente, porém, a Select é controlada pelo Hospital São Francisco de Assis, de Goiânia, que detinha 96,97% do capital da operadora ao final de 2025.
A direção técnica não implica, por si só, liquidação da empresa ou interrupção dos planos. O regime permite à ANS acompanhar mais de perto a operação e exigir medidas para corrigir problemas assistenciais e administrativos.
A resolução publicada nesta terça-feira estabelece uma direção técnica, e não uma direção fiscal, embora os demonstrativos financeiros da Select já mostrassem patrimônio negativo e descumprimento de exigências regulatórias de capital.
A medida coloca sob maior escrutínio uma operadora que multiplicou rapidamente sua carteira, ao mesmo tempo em que viu crescer as reclamações e a pressão sobre sua estrutura assistencial e financeira.













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