By Brazil Stock Guide – As reclamações contra algumas das maiores operadoras de planos de saúde do país ganharam força no segundo trimestre de 2026, em um movimento que foi bem mais rápido do que o crescimento de suas carteiras.
Levantamento do Brazil Stock Guide com dados da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mostra que o Índice Geral de Reclamações médico-hospitalares, o IGR MH, subiu 9,4% no conjunto de seis grandes grupos e operadoras analisados. O indicador agregado passou de 56,46 no primeiro trimestre para 61,75 no segundo.
O movimento não foi provocado simplesmente pela entrada de novos clientes. As operações analisadas encerraram o período com cerca de 20,6 milhões de beneficiários, alta de apenas 0,9%. Já as demandas consideradas no cálculo do índice cresceram 10,3%, para 38.151.
O IGR funciona justamente como uma forma de colocar empresas de tamanhos diferentes na mesma régua. A ANS considera a média mensal de reclamações NIP e a relaciona à média de beneficiários, tomando como referência 100 mil usuários. Assim, um índice de 60 corresponde, aproximadamente, a 60 demandas por mês para cada 100 mil beneficiários. Quanto maior o número, maior a incidência de reclamações.
A piora apareceu em todas as seis grandes operações analisadas pelo BSG.
A SulAmérica terminou o trimestre com o maior índice consolidado do grupo, de 77,67, ante 71,00 nos primeiros três meses do ano. Já a Porto Seguro Saúde registrou a deterioração mais forte: seu IGR saltou 17,4%, para 68,11.
No Bradesco Saúde, o indicador consolidado calculado pelo BSG avançou de 56,82 para 62,14. Os dois registros da companhia analisados haviam figurado na lista de redução de reclamações da ANS no primeiro trimestre e ficaram fora das listas no segundo.
A piora também apareceu na Amil, cujo índice consolidado passou de 54,38 para 59,94, e na Unimed Seguros Saúde, que avançou de 52,08 para 58,00. No grupo Hapvida/NotreDame, o IGR subiu para 55,96, o mais baixo da amostragem.

Para os grupos que mantêm mais de um registro relevante na ANS, o BSG consolidou as reclamações e as respectivas bases de beneficiários antes de aplicar a mesma fórmula utilizada no cálculo do IGR. A ANS divulga seus índices por registro individual de operadora, portanto os indicadores consolidados por grupo apresentados no levantamento não são números oficiais publicados pela agência.
Um trimestre naturalmente mais sensível
Há, porém, uma ressalva importante na leitura dos números. O segundo trimestre coincide com um período tradicionalmente mais sensível para o setor, quando reajustes de planos ganham espaço nas faturas e na comunicação com consumidores. Isso pode elevar reclamações relacionadas a preços, cobranças e condições contratuais, além de questões ligadas diretamente à assistência médica.
Os números agregados não permitem saber quanto da piora veio de reajustes e quanto foi provocado por problemas como autorizações, cobertura, rede credenciada ou atendimento.
Ainda assim, há uma informação difícil de ignorar: a incidência de reclamações cresceu muito mais rápido do que o número de clientes. É justamente por isso que o IGR é mais revelador do que a contagem pura de queixas. Mesmo depois de descontado o efeito do tamanho das carteiras, o indicador das grandes operações analisadas avançou quase 10% em apenas três meses.













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