By Brazil Stock Guide – Em meio à pressão sobre a governança da Invepar e às divergências entre seus acionistas, uma sobreposição de relações envolvendo o atual CEO da companhia, Vagner Lacerda Ribeiro, coloca uma questão sobre potencial conflito de interesses. Quando presidia o Conselho de Administração da Invepar por indicação da Previ, Ribeiro era o único sócio e administrador da Lifebook Soluções para Longevidade, consultoria contratada pela própria Previ em março de 2026.
A questão de governança é como o vínculo comercial de Ribeiro com um dos acionistas da Invepar foi identificado e tratado pelas partes. A Previ, um dos quatro acionistas da Invepar, firmou com a Lifebook um contrato de até R$ 172,8 mil, com remuneração de R$ 480 por hora e duração prevista de até 12 meses. O processo começou em janeiro deste ano, quando o fundo enviou à empresa uma carta-convite para participar de uma contratação de consultoria especializada em longevidade. A proposta foi assinada por Ribeiro como sócio-fundador.
Documentos da Junta Comercial do Distrito Federal mostram que Ribeiro havia passado a deter 100% da Lifebook em outubro de 2024, quando dois sócios deixaram a companhia e transferiram suas participações a ele. Ribeiro também passou a responder sozinho pela administração da consultoria. Em maio de 2025, foi eleito para o Conselho da Invepar por indicação da Previ e, na sequência, escolhido presidente do colegiado.
Assim, quando a Previ convidou a Lifebook, em janeiro de 2026, e assinou o contrato, em março, Ribeiro acumulava as posições de controlador da consultoria e presidente do conselho de uma companhia na qual o fundo era acionista e havia indicado seu nome. O contrato entre Previ e Lifebook contém regras sobre conflitos de interesses, inclusive referências a situações potenciais ou aparentes.
Questionada pelo Brazil Stock Guide sobre como essa sobreposição foi tratada, a Previ afirmou que “todo o processo de contratação da empresa Lifebook atendeu aos normativos e trâmites internos, incluindo o Código de Ética da Previ, que prevê o exame de conflito de interesses”. O fundo não detalhou se a situação específica de Ribeiro foi objeto de análise individualizada nem informou a conclusão de eventual exame.
Em nota, Vagner Ribeiro afirmou que sua atuação como professor e especialista em Economia da Longevidade é anterior e independente de seu trabalho na Invepar e que já participava de iniciativas com diferentes entidades fechadas de previdência complementar, entre elas Petros, Funcef e Previ – todas acionistas da Invepar. Segundo ele, não havia impedimento legal, contratual ou estatutário para a atividade, e o contrato da Lifebook não interferiu nem teria capacidade de interferir em suas atribuições na Invepar. O executivo acrescentou que não participava de decisões da Previ relacionadas à contratação de fornecedores.
Em maio de 2026, ao assumir a presidência executiva da Invepar, Ribeiro informou que deixou integralmente a Lifebook. Segundo ele, a decisão foi tomada “por cautela e como medida adicional de segregação” entre sua atividade profissional privada e suas novas funções executivas. Ribeiro afirmou também que ele próprio não recebeu qualquer pagamento da Previ decorrente do contrato no período em que permaneceu na sociedade. A Previ não informou se a Lifebook recebeu valores nesse intervalo nem detalhou eventuais desembolsos.
O episódio ocorre num momento de forte pressão financeira e societária sobre a Invepar, grupo que tem entre seus principais ativos a participação na concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Segundo a Folha de S.Paulo, o Bradesco apresentou uma proposta para reestruturar cerca de R$ 1,4 bilhão em dívidas, fazer um aporte de R$ 200 milhões e obter até 25% do capital, além de buscar participação na governança.
As negociações também expuseram divergências entre bancos, Previ, Petros e Funcef sobre pontos da reestruturação. Em fato relevante divulgado em 23 de agosto, a Invepar afirmou que as tratativas estavam em estágio inicial e que nenhum documento vinculante havia sido assinado. A companhia disse estar avaliando diferentes alternativas, arranjos e valores com o objetivo de quitar ou, ao menos, alongar o prazo de suas dívidas com os atuais credores.













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