By Brazil Stock Guide – A Shein, varejista de moda fundada na China, ampliou sua vantagem de preços sobre as principais redes de varejo de moda do Brasil, com uma cesta de produtos 44% mais barata que a média de Renner, C&A e Riachuelo em agosto, ante uma diferença de 34% em junho, segundo levantamento do BTG Pactual.
A diferença aumentou em meio ao debate sobre a chamada “taxa das blusinhas”, o Imposto de Importação federal que incidia em 20% sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em plataformas participantes do Remessa Conforme.
A cobrança está atualmente zerada por uma medida provisória editada em maio, que precisa ser aprovada pelo Congresso até 8 de setembro para não perder validade.
A tributação também está no centro de uma negociação entre o Palácio do Planalto e o Congresso. Lula deve se reunir nesta quarta-feira (26) com os presidentes da Câmara, Hugo Motta, e do Senado, Davi Alcolumbre, para tentar avançar a aprovação da medida provisória que zerou o imposto federal sobre essas compras.
A vantagem de preço vem de fora
No levantamento do BTG, a cesta comparável da Shein caiu para R$ 756 em agosto, de R$ 939 em junho. A média das três varejistas brasileiras recuou para R$ 1.344, de R$ 1.427. Com isso, a vantagem de preço da plataforma aumentou dez pontos percentuais em dois meses.
“A leitura mais clara é que a vantagem de preço da Shein aumentou”, afirmam os analistas Luiz Guanais, Yan Cesquim e Beatriz Cendon, autores do relatório.

O BTG lançou seu Apparel Price Index em junho para acompanhar a evolução dos preços no varejo brasileiro de vestuário diante do aumento da competição das plataformas internacionais.
Para tornar os preços comparáveis, o banco seleciona 11 categorias disponíveis nas quatro varejistas e calcula o preço mediano dos produtos em cada uma delas. Os valores são somados para formar uma cesta, dando o mesmo peso a cada categoria. Segundo o BTG, a metodologia reduz as distorções provocadas pelas diferenças de sortimento entre as empresas.
Entre as empresas brasileiras, a C&A passou a apresentar a cesta mais cara, de R$ 1.440, seguida pela Renner, com R$ 1.327, e pela Riachuelo, com R$ 1.266. Desde junho, a cesta da Shein caiu 20%, a da Riachuelo recuou 18% e a da Renner, 4%, enquanto a da C&A subiu 6%.
Parte da queda da Shein é explicada por uma estratégia promocional mais agressiva. Em agosto, 86% dos produtos da plataforma estavam em promoção, ante 79% em junho, e o desconto mediano aumentou para 35%, de 30%.
O BTG Pactual afirma, porém, que o movimento não parece ser apenas resultado das liquidações de inverno. Os preços medianos da Shein caíram em oito das 11 categorias analisadas, incluindo produtos menos sazonais. Nos jeans, por exemplo, o valor caiu de R$ 139 para R$ 82; nas camisas, de R$ 81 para R$ 65; nas camisetas, de R$ 48 para R$ 40; e nas calças, de R$ 97 para R$ 84.
Taxa das blusinhas
O banco também relaciona o ambiente competitivo à retomada das compras internacionais. Dados do Remessa Conforme, citados no relatório, mostram que o volume de importações cross-border está bem acima dos níveis anteriores à última mudança tributária. Para os analistas, o fim da “taxa das blusinhas” reacendeu rapidamente” a demanda pelas compras no exterior.
Criado pela Receita Federal, o Remessa Conforme permite que plataformas certificadas recolham os tributos e enviem antecipadamente os dados da compra às autoridades brasileiras, facilitando o desembaraço das encomendas.
Desde 12 de maio, compras de até US$ 50 nesses sites tsão isentas do imposto federal de importação, embora continuem sujeitas a ICMS de 17% a 20%, dependendo do Estado. Antes disso, o imposto federal vigorou com alíquota de 20% entre agosto de 2024 e 11 de maio deste ano.
A Renner foi a mais cautelosa entre as varejistas ao comentar o avanço das plataformas internacionais, segundo o BTG. A companhia citou a maior atividade dos concorrentes cross-border como um dos fatores por trás da desaceleração das vendas e incorporou o tema à revisão para baixo de sua projeção de crescimento, embora não tenha sinalizado intenção de responder com uma guerra de preços.
Seguno o relatório, a C&A também reconheceu a assimetria competitiva, mas afirmou que não pretende sacrificar margens, apostando em diferenciação de produtos, qualidade e proposta de valor. A Riachuelo criticou a assimetria tributária e disse que vem respondendo com integração vertical, tecnologia e inteligência de preços, também de acordo com o BTG.
O BTG ressalta que seu índice mede preços anunciados, e não vendas ou participação de mercado, e portanto não permite concluir que a Shein esteja ganhando mercado na mesma proporção da diferença observada nos preços.













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