By Brazil Stock Guide – As operadoras médico-hospitalares brasileiras registraram lucro líquido de R$ 4,89 bilhões no segundo trimestre de 2026, num período em que o resultado financeiro ganhou peso e passou a superar com folga o desempenho obtido diretamente com a operação dos planos de saúde.
Entre abril e junho, o resultado financeiro somou R$ 3,94 bilhões, enquanto o resultado operacional ficou em R$ 2,25 bilhões. O ganho financeiro foi, portanto, cerca de 75% maior que o operacional e respondeu por quase 58% dos R$ 6,80 bilhões de resultado antes de impostos e participações. O resultado patrimonial acrescentou outros R$ 615 milhões.
A mudança de composição foi um dos principais pontos destacados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) na apresentação dos números. No primeiro trimestre, resultado operacional e financeiro estavam mais próximos. No segundo, o componente financeiro acelerou e passou à frente.
“O resultado financeiro deu uma turbinada”, disse Washington Alves, gerente de Habilitação e Estudos de Mercado da ANS. “Agora a gente já vê um volume de resultado financeiro até maior do que o resultado operacional.”
A operação de planos também continuou no azul. O resultado operacional de R$ 2,25 bilhões no segundo trimestre ficou cerca de 20% acima do registrado no mesmo período de 2025. Isso ajuda a separar a fotografia do trimestre daquela do acumulado do semestre, ainda afetado por uma provisão técnica extraordinária de R$ 2,7 bilhões constituída pela SulAmérica Companhia de Seguro no primeiro trimestre.
Segundo a ANS, esse efeito não recorrente distorce a comparação do resultado operacional acumulado com o ano passado e não deve ser interpretado como uma deterioração equivalente do desempenho do conjunto do setor.
A melhora também apareceu na distribuição dos lucros. 71,4% das operadoras médico-hospitalares fecharam o segundo trimestre com resultado líquido positivo, ante 70,1% no mesmo período de 2025. A proporção está bem acima dos 50,8% registrados no segundo trimestre de 2022, no período mais crítico da recuperação pós-pandemia.
O avanço do resultado financeiro ocorre num ambiente de juros elevados e com um estoque cada vez maior de recursos investidos pelas empresas. As operadoras médico-hospitalares encerraram junho com cerca de R$ 142,4 bilhões em aplicações financeiras, acima dos aproximadamente R$ 140 bilhões de março e dos R$ 134 bilhões do fim de 2025.
A carteira é majoritariamente de renda fixa. Cerca de R$ 87,7 bilhões, ou 61,6%, estavam em títulos privados, enquanto outros R$ 51,6 bilhões, ou 36,3%, estavam em títulos públicos. Aproximadamente metade das aplicações estava registrada como garantidora, vinculada à cobertura das provisões técnicas, e a outra metade correspondia a recursos livres.
A ANS ressalta que a geração de resultado financeiro faz parte da própria dinâmica dos planos de saúde. As operadoras recebem mensalidades antes de boa parte dos desembolsos assistenciais e mantêm recursos aplicados para fazer frente às despesas futuras. O nível elevado dos juros, porém, ampliou significativamente o retorno dessas carteiras.
Washington Alves disse que o resultado financeiro está em nível recorde em praticamente todas as modalidades, com exceção das autogestões, e que o efeito é especialmente forte nas grandes empresas, que carregam volumes maiores de aplicações. “É natural que haja uma cultura de aplicação financeira”, afirmou Alves, ao explicar a defasagem entre o recebimento das mensalidades e o pagamento de parte das despesas assistenciais.
Bradesco lidera o trimestre
Entre as empresas, a Bradesco Saúde apresentou o maior lucro líquido no segundo trimestre, com R$ 911,3 milhões, equivalente a 18,6% de todo o resultado das operadoras médico-hospitalares no período.
A Sul América veio logo atrás, com R$ 873,0 milhões, seguida pela Postal Saúde, com R$ 470,9 milhões, e pela Amil, com R$ 441,2 milhões. Juntas, as quatro responderam por aproximadamente 55% do lucro líquido do setor no trimestre.
A composição dos resultados foi bastante diferente entre elas. Na Bradesco Saúde, o resultado financeiro de R$ 873,4 milhões foi mais que o dobro do operacional, de R$ 425,0 milhões. Na SulAmérica, os dois componentes ficaram praticamente empatados: R$ 454,7 milhões de resultado operacional e R$ 454,7 milhões de resultado financeiro. A seguradora registrou ainda R$ 300,1 milhões de resultado patrimonial, levando o resultado antes de impostos a R$ 1,21 bilhão.
A Postal Saúde seguiu uma lógica diferente. Seus R$ 470,9 milhões de lucro vieram essencialmente da atividade operacional, que gerou R$ 474,8 milhões no trimestre, enquanto o resultado financeiro foi ligeiramente negativo. Na Amil, o resultado operacional alcançou R$ 356,9 milhões, e o financeiro somou R$ 259,4 milhões, parcialmente compensados por um resultado patrimonial negativo de R$ 51,6 milhões.
Depois das quatro líderes aparecem Unimed Belo Horizonte, com R$ 239,8 milhões de lucro líquido, Samedil, com R$ 186,0 milhões, Unimed Seguros Saúde, com R$ 180,8 milhões, e Porto Seguro Saúde, com R$ 145,7 milhões.
Entre as duas principais operadoras do grupo Hapvida, a Notre Dame Intermédica registrou lucro de R$ 137,0 milhões no segundo trimestre, enquanto a Hapvida Assistência Médica lucrou R$ 49,5 milhões. Somadas, as duas operadoras reguladas pela ANS tiveram resultado líquido de R$ 186,5 milhões no período.
Os números do segundo trimestre mostram, assim, duas forças atuando ao mesmo tempo. A operação dos planos continua lucrativa e melhorou na comparação anual, enquanto os juros elevados transformaram a carteira financeira das operadoras numa fonte ainda maior de resultado. No segundo trimestre, o setor ganhou dinheiro com saúde e ainda mais com o dinheiro aplicado.












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