By Brazil Stock Guide – A Petrobras está a cerca de 1,5% de ultrapassar R$ 700 bilhões em valor de mercado, depois que suas ações atingiram novos recordes em meio a uma combinação de petróleo de quase US$ 110, produção crescente e forte geração de caixa.
As ações preferenciais da companhia, PETR4, fecharam nesta terça-feira (15) a R$ 50,43, alta de 3,09% no dia e no maior patamar nominal de sua história. No ano, o papel acumula valorização de 64,21%.
Com o movimento, a Petrobras encerrou o pregão avaliada em cerca de R$ 690 bilhões, deixando a maior petroleira brasileira a aproximadamente R$ 10 bilhões de alcançar pela primeira vez a marca nominal de R$ 700 bilhões em valor de mercado.
A distância tornou-se pequena diante do ritmo recente das ações. Uma valorização de aproximadamente 1,5% no valor da companhia seria suficiente para superar esse patamar.
O petróleo é o catalisador mais imediato. O Brent fechou a terça-feira a US$ 108,75 por barril, alta de 2,9%, depois que novas preocupações com a oferta no Oriente Médio voltaram a elevar os preços.
Para a Petrobras, o movimento ocorre em um momento particularmente favorável porque coincide com uma aceleração da produção.
Dados preliminares da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis mostram que a produção de petróleo da companhia chegou a 2,92 milhões de barris por dia em agosto, alta de 4% em relação a julho.
O avanço foi puxado principalmente por Búzios, principal ativo de crescimento da Petrobras no pré-sal, além da recuperação da produção em outros campos.
O Bradesco BBI avalia que uma produção superior a 3 milhões de barris por dia tornou-se um cenário cada vez mais viável, apoiado pela expansão de Búzios, ganhos de eficiência e entrada de novas plataformas. O banco vinha trabalhando com uma referência de 2,77 milhões de barris por dia para 2027.
Isso ajuda a entender por que bancos continuaram mantendo uma visão positiva sobre a Petrobras mesmo depois da disparada das ações.
O consenso de 12 bancos compilado pela Petrobras apontava, na última atualização, preço-alvo médio de R$ 55,83 para PETR4, ante os R$ 50,43 do fechamento de terça-feira. As estimativas variavam de R$ 45 a R$ 64 por ação, mostrando que não há unanimidade sobre quanto espaço ainda resta para valorização.
O BTG Pactual elevou recentemente seu preço-alvo para PETR4 de R$ 56 para R$ 65 no fim de 2027, enquanto o Itaú BBA trabalha com R$ 63. O Bradesco BBI, mais conservador, reiterou alvo de R$ 53. O Santander, por sua vez, tem preço-alvo de R$ 60 para as ações ordinárias PETR3.
Os horizontes, classes de ações e premissas não são idênticos, mas as projeções mostram que, depois da alta de 64,21% da PETR4 no ano, a discussão começa a migrar de simplesmente identificar uma ação descontada para medir quanto da melhora operacional e do crescimento da produção já está incorporado às cotações.
A Petrobras está, portanto, ampliando a produção justamente em um momento de preços mais elevados do petróleo, uma combinação que favorece diretamente a geração de caixa.
No segundo trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, quase o dobro do resultado de um ano antes. O Ebitda ajustado somou R$ 93,8 bilhões e o fluxo de caixa operacional chegou a R$ 61,8 bilhões.
A companhia aprovou ainda R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio referentes ao período.
O avanço da produção também pode oferecer suporte à Petrobras mesmo se o petróleo recuar dos atuais níveis.
O plano de negócios 2026-2030 prevê US$ 109 bilhões em investimentos, dos quais US$ 69,2 bilhões serão destinados à exploração e produção. Uma parcela importante dos recursos será aplicada na expansão da capacidade do pré-sal.
Segundo a companhia, seu portfólio de projetos de exploração e produção possui preço médio de equilíbrio equivalente a um Brent de cerca de US$ 25 por barril. A Petrobras estima ainda um Brent de equilíbrio de US$ 59 em 2026 para manter sua dívida líquida estável. Os níveis são muito inferiores aos preços atuais da commodity e ajudam a explicar a forte geração de caixa enquanto o Brent permanece acima de US$ 100.
O cenário, porém, também carrega riscos. Parte da recente valorização do petróleo reflete um prêmio geopolítico ligado às tensões no Oriente Médio. Uma normalização da oferta global poderia provocar uma queda do Brent e reduzir parte do impulso sobre receitas, lucros e dividendos da Petrobras.
O aumento dos investimentos também significa que uma parcela maior do caixa produzido pela companhia será destinada à expansão dos negócios, reduzindo potencialmente os recursos disponíveis para distribuições extraordinárias aos acionistas.
Além disso, a política doméstica de preços de combustíveis continua sendo acompanhada de perto pelo mercado, diante do histórico de interferência governamental sobre a Petrobras.
Há ainda uma ressalva histórica importante. Os quase R$ 700 bilhões representam o maior valor nominal em reais já alcançado pela Petrobras, mas não significam que a companhia seja hoje maior, em termos globais, do que em seu auge do pré-sal.
Em maio de 2008, quando a Petrobras valia cerca de R$ 510 bilhões, seu valor de mercado chegou a aproximadamente US$ 287 bilhões. Aos preços atuais e com o dólar ao redor de R$ 5,15, R$ 690 bilhões equivalem a aproximadamente US$ 130 bilhões.












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