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Oncoclínicas pede recuperação extrajudicial para dívida de R$ 5,1 bilhões

Companhia inicia processo com apoio de credores que representam 37% dos créditos abrangidos; plano poderá incluir aporte dos acionistas, conversão de dívida em ações e extensão dos vencimentos.

By Brazil Stock Guide — A Oncoclínicas do Brasil (ONCO3) entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar aproximadamente R$ 5,1 bilhões em dívidas financeiras sem garantia, além de outros créditos entre empresas do grupo.

O pedido foi distribuído em 13 de julho e transforma as negociações com bancos e demais credores em um processo formal, com regras e prazos definidos para o reperfilamento das obrigações financeiras da companhia.

A empresa já obteve a adesão de credores que representam cerca de 37% dos créditos abrangidos pelo plano. O percentual é suficiente para iniciar o processo, mas ainda não representa a aprovação definitiva da reestruturação.

A partir do processamento do pedido, a Oncoclínicas terá 90 dias para alcançar o apoio mínimo necessário à homologação judicial. Caso cumpra essa exigência, os novos termos de pagamento poderão passar a vincular 100% dos créditos incluídos no plano, inclusive aqueles detidos por credores que não tenham aderido inicialmente.

Aporte e conversão de dívida estão sobre a mesa

A companhia indicou quatro instrumentos que poderão fazer parte da solução financeira: uma capitalização realizada pelos acionistas, a conversão de parte das dívidas em participação acionária, a substituição de obrigações existentes por novas dívidas e o alongamento dos prazos de amortização.

Os termos ainda não estão definidos, e o comunicado não informa o volume de eventual aporte, o montante que poderia ser convertido em ações, o desconto a ser aplicado sobre os créditos ou os novos custos financeiros.

Para os acionistas, o ponto mais sensível será a combinação entre capital novo e conversão de dívida. Dependendo da avaliação utilizada e do tamanho da operação, a reestruturação poderá provocar uma diluição relevante dos atuais investidores. Ao mesmo tempo, uma redução suficientemente grande do endividamento seria necessária para restaurar a capacidade financeira da companhia.

O pedido representa, portanto, apenas o início da negociação. Além da adesão adicional dos credores, o mercado deverá acompanhar quem fornecerá novos recursos, qual será o envolvimento dos acionistas de referência e quanto da dívida permanecerá no balanço depois do processo.

Operação fica fora da recuperação

A recuperação extrajudicial não incluirá as obrigações operacionais correntes com fornecedores, clientes e demais parceiros comerciais. Segundo a Oncoclínicas, esses compromissos continuarão sendo pagos normalmente e os serviços de tratamento oncológico não sofrerão interrupções.

A separação é importante porque permite concentrar a negociação nos passivos financeiros sem colocar automaticamente fornecedores e prestadores de serviços dentro do processo. Também busca proteger a continuidade dos tratamentos, um tema particularmente sensível para uma companhia que atende pacientes em unidades espalhadas pelo país.

Companhia abandona projetos imobiliários

Como parte das medidas para reduzir seus compromissos, uma subsidiária da Oncoclínicas rescindiu um contrato de locação built-to-suit de um imóvel localizado na Avenida Angélica, em São Paulo. A multa estimada em R$ 76 milhões foi incluída entre os créditos abrangidos pela recuperação.

Outra subsidiária encerrou o contrato relacionado a um hospital que seria construído em Goiânia. Nesse caso, o valor da multa ainda está sendo calculado e foi classificado pela companhia como incerto e ilíquido.

As rescisões mostram que a reestruturação não ficará restrita à troca de dívida. A Oncoclínicas também está revendo projetos e compromissos imobiliários de longo prazo, numa tentativa de reduzir desembolsos futuros e preservar liquidez.

O pedido de recuperação extrajudicial foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e ainda será submetido à ratificação dos acionistas em assembleia geral extraordinária.

A questão central agora será a divisão do custo da reestruturação entre acionistas e credores. A companhia conseguiu o apoio necessário para abrir o processo, mas ainda terá de definir os termos econômicos capazes de atrair a maioria restante — e mostrar que o novo balanço será sustentável depois da conclusão do plano.


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