By Brazil Stock Guide – Empresas estrangeiras com investimentos no Brasil enviaram US$ 55,1 bilhões em lucros ao exterior em 2025, US$ 11,1 bilhões a mais do que indicavam as estimativas anteriores, segundo novos dados divulgados pelo Banco Central nesta segunda-feira.
A estimativa anterior era de US$ 44 bilhões. Parte da diferença veio de pagamentos realizados diretamente no exterior, sem contrato de câmbio no Brasil, incorporados agora às estatísticas.
Ao mesmo tempo, o BC reduziu de US$ 25,4 bilhões para US$ 17,4 bilhões o volume de lucros considerado reinvestido no país.
A revisão mostrou ainda um movimento incomum na distribuição de resultados das multinacionais. As empresas declararam US$ 84,7 bilhões em dividendos a pagar em 2025, acima dos US$ 72,6 bilhões de lucros apurados no ano.
A relação entre dividendos declarados e lucros chegou a 117%, algo que, segundo o Banco Central, não havia ocorrido nos anos anteriores.
O BC relacionou o movimento à Lei nº 15.270, de 2025, que alterou as regras de tributação e permitiu o diferimento da distribuição efetiva de determinados lucros até 2028.
Apesar dos US$ 84,7 bilhões declarados, os lucros efetivamente pagos em 2025 somaram US$ 55,1 bilhões.
O estoque de lucros e dividendos ainda a pagar encerrou o ano em US$ 37,1 bilhões, ante US$ 7,4 bilhões em 2024. O aumento foi de US$ 29,6 bilhões em apenas um ano.
Os números fazem parte da revisão anual das estatísticas do setor externo. O processo incorporou informações do Censo de Capitais Estrangeiros no País, do levantamento de Capitais Brasileiros no Exterior e de sistemas de registro de investimento e crédito externo.
A revisão também incorporou US$ 15,5 bilhões em reestruturações societárias internacionais relativas a 2023 e 2025.
Essas operações podem envolver a transferência da controladora de um grupo para outra jurisdição sem fluxo financeiro efetivo, embora gerem registros nas contas de investimento externo.
Com os novos dados, o déficit em transações correntes de 2025 foi revisado de US$ 66,7 bilhões para US$ 67,4 bilhões, equivalente a 2,96% do PIB.
Os passivos de investimento direto no país também foram revistos para cima, de US$ 77,7 bilhões para US$ 85 bilhões.
A participação no capital, excluídos os lucros reinvestidos, passou de US$ 37 bilhões para US$ 54,3 bilhões, incluindo US$ 13,1 bilhões em reestruturações societárias internacionais e outras operações informadas posteriormente ao BC.
Conta corrente piora em agosto
Nos dados mais recentes, o Brasil registrou déficit em transações correntes de US$ 5,1 bilhões em agosto de 2026, ante US$ 3,8 bilhões no mesmo mês do ano anterior.
Em 12 meses, porém, o déficit recuou para US$ 63 bilhões, equivalente a 2,47% do PIB, ante 3,53% do PIB em agosto de 2025.
A balança comercial ajudou a conter a piora. O superávit subiu para US$ 6,6 bilhões em agosto, de US$ 5,3 bilhões um ano antes, com exportações crescendo 12,1%.
Do outro lado, aumentaram as despesas com serviços e renda. O déficit de serviços avançou 28,2%, para US$ 5,3 bilhões. As despesas líquidas com telecomunicações, computação e informação mais que dobraram, para US$ 1,3 bilhão.
O déficit de renda primária subiu para US$ 7 bilhões, ante US$ 5,4 bilhões um ano antes. As despesas líquidas com lucros e dividendos cresceram para US$ 5,9 bilhões, de US$ 4,2 bilhões em agosto de 2025.
O investimento direto no país somou US$ 7,4 bilhões no mês e US$ 86,6 bilhões em 12 meses, equivalente a 3,39% do PIB.
Já os investimentos em carteira tiveram saída líquida de US$ 5,2 bilhões em agosto, com retirada de US$ 6,5 bilhões de ações e fundos, parcialmente compensada por ingresso de US$ 1,3 bilhão em títulos.













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