By Brazil Stock Guide – A construtora portuguesa Mota-Engil negocia a aquisição de uma participação de 40% na Odebrecht Engenharia & Construção, segundo uma fonte a par do assunto, em uma operação que pode marcar uma nova etapa na retomada da companhia brasileira após sua reestruturação financeira.
As conversas estão em andamento, mas os termos financeiros e a estrutura da potencial transação não foram divulgados. Também não está claro se a operação envolverá apenas a compra de ações dos atuais controladores, um aporte de capital na construtora ou uma combinação dos dois mecanismos.
Procurada pelo Brazil Stock Guide após a informação sobre a negociação dos 40%, a Odebrecht afirmou que não comenta especulações de mercado. A companhia, porém, confirmou que a atração de um sócio estratégico integra o plano de negócios apresentado depois da conclusão de sua reestruturação financeira.
“A atração de um sócio estratégico integra o plano de negócios apresentado pela Odebrecht Engenharia & Construção na sequência de sua reestruturação financeira, já concluída. Havendo fato a comunicar neste sentido, será divulgado pelos canais oficiais”, disse a empresa em nota.
A OEC acrescentou que mantém um histórico de parcerias com a Mota-Engil ao longo de décadas e que as duas empresas participam atualmente de importantes projetos de infraestrutura como integrantes de consórcios no Brasil e na África. A Mota-Engil também foi procurada, mas não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
A possível transação ocorre pouco mais de quatro meses depois de a Justiça encerrar a recuperação judicial da OEC, após considerar cumpridas as obrigações previstas em seu plano de reestruturação. A construtora havia recorrido à proteção judicial em 2024 para reorganizar dívidas declaradas em cerca de R$ 4,6 bilhões.
A potencial aquisição aprofundaria a expansão da Mota-Engil no Brasil, onde o grupo português vem conquistando alguns dos maiores projetos recentes de infraestrutura. Em setembro de 2025, a companhia venceu o leilão da parceria público-privada para construir, operar e manter o Túnel Santos–Guarujá, ligação submersa entre as duas cidades do litoral paulista. O contrato, assinado em janeiro, tem prazo de 30 anos e prevê investimentos de cerca de R$ 7,8 bilhões.
A aproximação entre os dois grupos ganhou força recentemente no setor de concessões. Em maio, a Mota-Engil integrou, ao lado da Nova Infra Invest — empresa da Novonor — e da Galapagos Capital, o consórcio que venceu o leilão da Rota dos Sertões. A concessão compreende 502 quilômetros das rodovias BR-324, na Bahia, e BR-116, na Bahia e em Pernambuco, entre Feira de Santana e Salgueiro.
O projeto prevê aproximadamente R$ 4,1 bilhões em investimentos durante os 30 anos de contrato. O Consórcio 116 Sertões venceu a disputa ao oferecer desconto de 19,6% sobre a tarifa básica de pedágio. A parceria, contudo, ocorre por meio da Nova Infra Invest, ligada à controladora Novonor, e não diretamente pela OEC.
A entrada da Mota-Engil no capital aprofundaria uma relação que, até agora, se concentrou em consórcios e projetos específicos. Também daria à empresa portuguesa acesso mais amplo à carteira, à capacidade de execução e à presença histórica da OEC na América Latina e na África, enquanto forneceria à construtora brasileira um parceiro internacional com capital, experiência em concessões e operações relevantes nos dois continentes. Desde o fim dos anos 1980, a Odebrecht controla a empresa portuguesa Bento Pedroso Construções.

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