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Select recua e retira BTG, Planner e ABC de anúncio de apoio financeiro à operadora

Empresa havia dito que suporte das três instituições era baseado em instrumentos de crédito; novo comunicado afirma que BTG não financia reorganização.

By Brazil Stock Guide — A Select Operadora de Planos de Saúde recuou de um anúncio no qual afirmava contar com apoio financeiro do BTG Pactual, Planner e Banco ABC Brasil para sua reorganização, num momento em que está sob Direção Técnica da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

A Select está sob esse regime especial desde o início de setembro, após a ANS identificar “anormalidades administrativas e assistenciais graves” que, segundo o regulador, colocavam em risco a continuidade do atendimento.

Em um novo “esclarecimento institucional”, publicado em seu site nesta quinta-feira, dia 17, a operadora reconheceu que a comunicação anterior reuniu “tratativas comerciais e institucionais de naturezas e estágios distintos” sob uma mesma formulação e não delimitou corretamente o alcance de cada referência.

A mudança é substantiva.

Numa primeira nota, intitulada “Nova fase, novas parcerias” e enviada na segunda-feira, dia 14, a Select afirmou diretamente que “BTG Pactual, Planner e Banco ABC Brasil apoiam financeiramente” sua reorganização. O texto dizia ainda que esse apoio havia se tornado “um dos elementos centrais” do processo e dava suporte à nova gestão no enfrentamento dos passivos da operadora.

Questionada pelo Brazil Stock Guide sobre o que significava exatamente esse apoio, a Select foi além. Em resposta enviada em 15 de setembro, a companhia afirmou que a estrutura “conta com a participação de instituições como BTG Pactual, Planner e Banco ABC Brasil” e era baseada em instrumentos de crédito.

Segundo a resposta, não se tratava de aporte de capital. A Select afirmou ainda que os recursos seriam liberados segundo um cronograma, condicionados à prestação de contas, e destinados ao tratamento de passivos, à recuperação da previsibilidade operacional e ao fortalecimento da capacidade da empresa de cumprir suas obrigações.

A operadora não revelou valores nem quanto teria sido desembolsado. Na ocasião, disse que modalidade, montantes e cronograma estavam protegidos por sigilo bancário e cláusulas de confidencialidade.

Agora, a versão mudou.

BTG não financia a reorganização

No novo comunicado, a Select afirma expressamente que a referência ao BTG não correspondia a qualquer financiamento da operadora. Segundo a companhia, o nome do banco surgiu de “tratativas comerciais e operacionais” conduzidas pela Vítrea Administradora de Benefícios no contexto da nova estrutura da carteira da Select.

Essas conversas, diz a operadora, ainda estão em andamento e “não representam concessão de crédito, aporte, investimento ou apoio financeiro do BTG Pactual à reorganização da Select”. A empresa acrescenta que o BTG não participa da gestão nem da reorganização societária ou administrativa da operadora. No mesmo comunicado, a Select retirou também as referências à Planner e ao Banco ABC Brasil.

Nesse caso, porém, a companhia não explicou que tipo de relação levou à inclusão das duas instituições na primeira comunicação, na qual chegou a exibir os logotipos dos três grupos financeiros. Disse apenas que a nota anterior não havia delimitado corretamente “o contexto, a natureza e as condições de divulgação” das referências.

O novo esclarecimento substitui oficialmente o anterior. A Select afirma também que futuras comunicações envolvendo terceiros serão feitas somente depois de validação jurídica e, quando necessária, autorização para utilização do nome ou da marca.

Vítrea aparece no centro da nova estrutura

A correção também revela com mais clareza o papel da Vítrea na reorganização. Na nova nota, a Select afirma que sua carteira é atualmente administrada com exclusividade pela Vítrea Administradora de Benefícios.

A relação entre as duas empresas já havia sido questionada pelo Brazil Stock Guide. Em 15 de setembro, ao ser perguntada se a Vítrea teria assumido a gestão, a assessoria da Select afirmou apenas que a empresa era uma administradora de benefícios que “faz parte do coletivo”.

O novo comunicado apresenta uma descrição mais ampla de seu papel ao dizer que a Vítrea administra com exclusividade a carteira da operadora. A Select não informou os termos econômicos desse acordo, quando a nova estrutura entrou em vigor nem quais contratos e beneficiários estão abrangidos.

ANS rejeitou tentativa de mudança de controle

A reorganização da Select ocorre também depois de uma tentativa frustrada de alteração do controle societário da Select. Em resposta ao Brazil Stock Guide, a ANS informou que a operadora foi intimada em 31 de julho de 2026 de uma decisão que indeferiu um pedido de autorização para a assunção de seu controle.

A agência não revelou quem pretendia assumir a companhia. Segundo a ANS, pedidos dessa natureza são sigilosos durante sua tramitação. “Não houve alteração de controle societário que seja de conhecimento da ANS”, afirmou a agência, acrescentando que qualquer mudança de controle de uma operadora depende de autorização prévia do regulador.

A Select também afirma que seu quadro societário não mudou. Segundo a empresa, a reorganização atual é administrativa e operacional e envolve a entrada de novos executivos. Ao final de 2025, o controle formal da Select permanecia com o Hospital São Francisco de Assis, de Goiânia, que detinha 96,97% do capital da operadora.

A companhia já informava, nas demonstrações financeiras de 2025, que negociava a entrada de um novo investidor, sem revelar sua identidade ou o valor de uma eventual operação. Embora o controle societário permanecesse formalmente com o Hospital São Francisco de Assis, a operação da Select vinha sendo conduzida por executivos ligados à estrutura da Tiger, grupo com atuação em corretagem de seguros, por meio da Allcross, e administração de benefícios, por meio da Mount Hermon, segundo apurou o BSG. Sob essa gestão, a Select acelerou sua expansão nacional, ampliando a oferta de planos para grande parte das capitais brasileiras.

A Select afirma que a revisão das referências aos bancos não altera esse processo de reorganização. Segundo a companhia, continuam em curso medidas administrativas, operacionais e financeiras destinadas ao tratamento de passivos, à estabilidade da operação e à continuidade da assistência.

Despesas assistenciais superam contraprestações

Os últimos dados financeiros disponíveis na ANS são referentes ao primeiro trimestre de 2026. De janeiro a março, a Select registrou R$ 115 milhões em contraprestações e R$ 156,5 milhões em despesas assistenciais. As despesas assistenciais ficaram, portanto, R$ 41,5 milhões acima das contraprestações e equivaleram a cerca de 136% do valor registrado nessa rubrica no período.

A operadora ainda não havia apresentado ao regulador os dados financeiros referentes ao segundo trimestre.

Em dados mais recentes de carteira exibidos pela ANS, a Select aparece com 116.924 beneficiários, queda de 2,14% no mês. Cerca de 74,2% dos usuários estão em planos coletivos, e o painel registra 990 demandas no sistema de reclamações da agência.


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