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Com petróleo em alta, grandes distribuidoras avançam sobre regionais no mercado de combustíveis

Ipiranga liderou o avanço em julho, com alta de quase 11% nos volumes e participação de 18,1%; diesel russo ainda representa parte de seu mix de importações.

By Brazil Stock Guide – As três maiores distribuidoras de combustíveis do Brasil elevaram sua participação conjunta no mercado para 59,4% em julho, ante 57,3% um ano antes. A fatia das empresas regionais recuou de 42,7% para 40,6%.

O grupo reúne a Vibra Energia (VBBR3), a Ipiranga, controlada pela Ultrapar Participações (UGPA3), e a Raízen (RAIZ4). As três ampliaram seus volumes acima da média do mercado, segundo relatório do BTG Pactual (BPAC11) baseado em dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

As vendas de combustíveis cresceram 1,8% em um ano, para 11,699 milhões de m³ em julho. A Ipiranga avançou 10,8%, para 2,122 milhões de m³; a Vibra cresceu 3,9%, para 2,609 milhões; e a Raízen registrou alta de 3,1%, para 2,219 milhões. As distribuidoras regionais venderam 4,749 milhões de m³, queda de 3,2%.

A diferença também aparece nos primeiros sete meses de 2026. O mercado cresceu 2,5%, para 76,419 milhões de m³, enquanto as regionais perderam 3,5% do volume e ficaram com 31,569 milhões.

A Ipiranga acumulou crescimento de 8,9%, seguida pela Raízen, com 7,4%, e pela Vibra, com 5,7%. As vendas de diesel das distribuidoras regionais recuaram 5,7% no mesmo período.

Menos irregularidades e mais acesso à Petrobras

O BTG atribuiu o ganho de participação das grandes distribuidoras à redução das atividades irregulares no mercado e à vantagem de abastecimento proporcionada por cotas mais robustas junto à Petrobras (PETR4).

O maior acesso aos combustíveis fornecidos pela estatal permite que essas empresas adquiram produtos a preços competitivos e reduzam sua exposição às oscilações do mercado de importação, segundo o banco.

O relatório avalia que essa vantagem tem ajudado as líderes a recuperar clientes anteriormente atendidos por distribuidoras regionais. A participação conjunta de Vibra, Ipiranga e Raízen permanece próxima ou acima de 59% desde abril, o que indica um movimento que vai além da oscilação de um único mês.

Ipiranga lidera o avanço

A Ipiranga elevou sua participação de 16,7% para 18,1% em um ano, avanço de 1,4 ponto percentual. A diferença para a Raízen diminuiu de dois pontos para 0,9 ponto no período.

A Vibra permaneceu na liderança, com 22,3% do mercado, seguida pela Raízen, com 19%.

O crescimento da Ipiranga ocorreu nos dois principais segmentos acompanhados pelo relatório. Os volumes de diesel avançaram 10,4%, para 1,214 milhão de m³, enquanto as vendas do ciclo Otto ajustado cresceram 11,2%, para 908 mil m³.

O BTG relacionou o desempenho da empresa à capacidade de adquirir combustíveis a preços competitivos e conquistar clientes no mercado spot, que não dependem de contratos regulares de abastecimento.

Diesel russo permanece no mix

As importações representaram 16% das vendas de diesel da Ipiranga em julho. A empresa importou 190 mil m³, dos quais 31% vieram da Rússia.

A participação russa caiu significativamente em relação aos 78% registrados em junho. A parcela dos combustíveis importados nas vendas de diesel da companhia também diminuiu, de 21% para 16%. A Rússia, no entanto, permaneceu entre as fontes de abastecimento da distribuidora.

Petróleo em alta aumenta importância do abastecimento

A concentração ocorre em um período de preços elevados no mercado internacional. O petróleo Brent superou US$ 92 por barril nesta terça-feira (1º), impulsionado pela retomada das tensões no Oriente Médio e pelos temores de interrupções no fornecimento.

O BTG calculou que a paridade de importação do diesel no Brasil subiu de R$ 5,20 por litro em julho para R$ 5,91 em agosto. Na gasolina, a referência passou de R$ 3,80 para R$ 3,87.

O banco não apontou a alta do petróleo como causa direta da mudança nas participações de mercado. A análise destacou a redução das irregularidades e a vantagem de abastecimento das distribuidoras com maior acesso aos volumes da Petrobras.

As margens na distribuição de diesel e gasolina recuaram em relação ao pico de abril, mas permaneceram elevadas, segundo o BTG. O banco estimou uma margem Ebitda de aproximadamente R$ 320 por m³ para o setor no terceiro trimestre.


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