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Braskem lucra R$ 3,3 bi em alívio temporário e tenta reestruturar dívida de R$ 48 bi

EBITDA recorrente supera R$ 5,2 bilhões e caixa volta ao positivo, mas spreads de resinas já recuaram e reestruturação da dívida segue sem acordo.

By Brazil Stock Guide – O segundo trimestre deu à Braskem (B3: BRKM3, BRKM5 e BRKM6; NYSE: BAK) um raro alívio operacional e de caixa. No período, a Braskem registrou lucro líquido atribuível aos acionistas de R$ 3,33 bilhões no segundo trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$ 267 milhões um ano antes, impulsionada por uma forte expansão dos spreads internacionais de resinas e produtos químicos.

A receita líquida avançou 22%, para R$ 21,72 bilhões. O EBITDA recorrente saltou de R$ 427 milhões para R$ 5,25 bilhões, mais de 12 vezes o resultado do segundo trimestre de 2025 e 422% acima do trimestre anterior. O lucro bruto alcançou R$ 5,32 bilhões, ante apenas R$ 362 milhões um ano antes.

O desempenho refletiu uma desorganização temporária do mercado petroquímico global provocada pelo conflito no Oriente Médio. A restrição na oferta de matérias-primas, especialmente para a Ásia, elevou os preços do petróleo e da nafta e aumentou o custo de produção dos fabricantes marginais asiáticos, abrindo espaço para preços maiores de resinas e químicos.

No segmento Brasil e América do Sul, os spreads médios de resinas aumentaram 82% frente ao primeiro trimestre e 69% em 12 meses. Nos principais químicos, as altas foram de 98% e 67%, respectivamente. O EBITDA recorrente da região atingiu R$ 4,37 bilhões.

A operação também recebeu impacto positivo de R$ 578 milhões relacionado aos créditos de PIS/Cofins do REIQ Insumos na aquisição de matérias-primas – incentivo fiscal aprovado no Congresso para o setor petroquímico.

Nos Estados Unidos e na Europa, o spread médio do polipropileno aumentou 28% no trimestre e 24% em 12 meses, levando o EBITDA recorrente do segmento a R$ 739 milhões. No México, o spread do polietileno avançou 73% no trimestre e 98% na comparação anual, e o EBITDA ficou em R$ 289 milhões.

Ganho veio dos preços, não dos volumes

A recuperação não foi acompanhada por crescimento dos volumes. No Brasil, as vendas de resinas recuaram 8% em relação ao segundo trimestre de 2025, enquanto as vendas dos principais químicos diminuíram 5%. As exportações brasileiras de resinas caíram 23%.

No México, as vendas recuaram 20%, para 125 mil toneladas, com taxa de utilização de apenas 43%. Nos Estados Unidos e na Europa, os volumes ficaram praticamente estáveis, com queda de 1%.

Os números mostram que a melhora do trimestre veio essencialmente dos spreads e da capacidade da companhia de capturar preços mais favoráveis, e não de uma recuperação estrutural da demanda.

A própria Braskem alertou que parte desse impulso perdeu força ainda durante o trimestre. A expectativa de um possível cessar-fogo no Oriente Médio levou clientes a adiar compras diante da perspectiva de redução dos preços. Ao final de junho, os spreads internacionais de resinas já haviam retornado aos níveis observados antes do início do conflito.

Caixa melhora, mas semestre segue negativo

A geração operacional de caixa atingiu R$ 1,93 bilhão, revertendo consumo de R$ 175 milhões um ano antes. A melhora do EBITDA foi parcialmente absorvida por R$ 2,76 bilhões em capital de giro, diante da volatilidade das matérias-primas, do aumento dos estoques e da redução de linhas de pagamento com instituições financeiras e fornecedores.

A geração recorrente de caixa ficou em R$ 1,05 bilhão. Após R$ 241 milhões em desembolsos relacionados ao evento geológico de Alagoas, a geração de caixa antes da dívida foi de R$ 807 milhões.

Apesar da melhora trimestral, o primeiro semestre ainda registrou consumo recorrente de caixa de R$ 4,43 bilhões e consumo de R$ 5,2 bilhões antes da dívida, refletindo a forte saída de recursos ocorrida nos três primeiros meses do ano.

O resultado financeiro líquido foi negativo em R$ 494 milhões, ante perda de R$ 27 milhões um ano antes. As despesas com juros somaram R$ 1,19 bilhão, parcialmente compensadas por R$ 859 milhões em efeitos cambiais e derivativos.

Reestruturação continua sem acordo

A dívida líquida ajustada da Braskem, excluindo a unidade mexicana Braskem Idesa e TQPM, encerrou junho em R$ 48,8 bilhões (US$ 9,43 bilhões), alta de 3% em dólar no trimestre e de 24% em 12 meses. A alavancagem recuou de 18,18 vezes para 6,74 vezes, principalmente pelo aumento do EBITDA acumulado em 12 meses.

As obrigações financeiras expandidas, incluindo cartas de crédito e compromissos ligados à tragédia ambiental de Alagoas, alcançaram alcançaram R$ 58 bilhões (US$ 11,2 bilhões). A posição de caixa e aplicações financeiras corporativas comparável caiu 42% em 12 meses, para pouco mais de US$ 1 bilhão.

A companhia permanece em negociação com grupos de credores depois de não alcançar consenso sobre uma proposta apresentada em junho. A proteção cautelar concedida pela Justiça brasileira suspendeu por 60 dias execuções de credores participantes da mediação, medida também reconhecida preliminarmente nos Estados Unidos por meio de um processo de Chapter 15. O prazo vence no dia 24 deste mês.

Após o encerramento de períodos de cura e a suspensão de determinados pagamentos, a Braskem informou que entrou em default em alguns instrumentos financeiros em julho. As obrigações afetadas deverão ser classificadas no passivo circulante, embora as medidas judiciais impeçam temporariamente execuções e constrições pelos credores envolvidos.

A empresa, controlada pela IG4 Capital e a Petrobras, recebeu propostas preliminares e não vinculantes que incluem uma possível capitalização e a constituição de garantias sobre ativos, mas afirmou que ainda não há definição sobre os termos da reestruturação.

Apesar do bom resultado temporário, a normalização dos spreads, porém, indica que a melhora não elimina o principal desafio da companhia: alcançar um acordo com os credores antes que a pressão sobre a liquidez volte a dominar os resultados.


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