By Brazil Stock Guide — O UBS Lumen, fundo ligado à família dos advogados Arnoldo e Alexandre Wald, pediu a convocação de uma assembleia extraordinária da Oncoclínicas (ONCO3) para promover uma ampla reformulação do conselho de administração da companhia, em mais um movimento na disputa pela governança da rede de tratamento oncológico.
O fundo, gerido pela EXA Capital, detém 55,97 milhões de ações da Oncoclínicas, equivalentes a 4,93% do capital, e quer destituir o atual conselho, fixar o colegiado em sete integrantes e realizar uma nova eleição.
Apesar de a proposta prever formalmente a destituição de todos os atuais membros, dois deles — o presidente Marcelo Curti e Antonio Claudio Correa Leite Buchaul — aparecem na chapa de sete nomes apresentada pelo próprio Lumen. Na prática, se a proposta for aprovada, cinco das sete cadeiras seriam ocupadas por novos integrantes.
Além de Curti e Buchaul, o fundo propõe Hélio Paulo Ferraz, Lourival Antunes Maciel, Claudio Marcelo Schmidt Rehder, Dante Iacovone e José Maria Junqueira Sampaio Meirelles.
O movimento ocorre apenas cinco meses depois de o Lumen ter desempenhado papel relevante na eleição do atual conselho da Oncoclínicas. Na assembleia de 30 de abril, o fundo indicou três conselheiros, enquanto a Mak Capital não conseguiu obter a maioria do colegiado que buscava.
O Lumen é ligado à família Wald e é gerido pela EXA Capital. Segundo reportagem do Valor Econômico, Arnoldo e Alexandre Wald entraram na Oncoclínicas durante o aumento de capital de 2025, quando eles adquiriram cerca de R$ 200 milhões em debêntures e posteriormente converteram os títulos em ações da companhia.
Na carta enviada ao conselho em 24 de setembro, o UBS Lumen justificou a proposta dizendo que houve uma “alteração substancial” tanto na situação econômica e financeira da Oncoclínicas quanto em sua estrutura acionária desde a assembleia de abril. O fundo afirmou que a reformulação do conselho seria necessária para enfrentar os desafios financeiros e operacionais da empresa e contribuir para seu “soerguimento”.
O perfil da nova chapa também aponta para uma ênfase maior em finanças, governança e reestruturação do que em operações hospitalares. Entre os nomes estão executivos e conselheiros com passagens por bancos, telecomunicações e infraestrutura.
A Oncoclínicas informou que recebeu o pedido em 24 de setembro, mas que o conselho ainda analisa a solicitação e não tomou uma decisão sobre a convocação da assembleia.
A nova ofensiva de governança ocorre em paralelo a outro movimento liderado pela Latache, atualmente o maior acionista individual divulgado da Oncoclínicas, com 14,59% do capital. A Latache trava uma disputa com o Josephina III, veículo ligado à Centaurus. A gestora foi uma das responsáveis por levar à CVM a discussão sobre a obrigação de realização de uma oferta pública de aquisição de ações prevista no estatuto da Oncoclínicas.
Em 25 de agosto, o colegiado da CVM decidiu que a Centaurus, por meio do Josephina III, estava obrigada a realizar a OPA. O regulador concluiu que o gatilho previsto no estatuto foi acionado em 4 de novembro de 2024, quando o Josephina III passou a deter diretamente uma participação superior a 15% do capital da companhia.
A CVM determinou ainda que a oferta fosse realizada em até 60 dias, com o preço calculado segundo as regras do estatuto e atualizado pela Selic desde a data considerada como fato gerador. Os beneficiários da oferta serão os acionistas habilitados até a véspera do leilão.
Diante do não cumprimento da obrigação até agora, a Latache pediu a convocação de uma assembleia para deliberar sobre a suspensão dos direitos políticos do Josephina III enquanto a OPA não for realizada.













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