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Vale vê mais de 100 milhões de toneladas de minério sob pressão e aposta no cobre

Mineradora avalia cortes em compras de terceiros de maior custo, enquanto proteção no frete limita pressões de curto prazo e cobre se torna principal vetor de expansão

By Brazil Stock Guide – A Vale (VALE3) estima que mais de 100 milhões de toneladas da oferta global de minério de ferro estejam sob pressão econômica nos níveis atuais de preços e custos, enquanto posiciona o cobre como seu principal vetor de crescimento, segundo relatórios do BTG Pactual e da XP Research produzidos após reuniões com a administração da mineradora.

As estimativas variam conforme as premissas adotadas. A XP calcula que mais de 100 milhões de toneladas da oferta mundial enfrentem dificuldades econômicas com o minério de ferro em cerca de US$ 95 por tonelada e o Brent próximo de US$ 90 por barril. O BTG Pactual estima que mais de 120 milhões de toneladas da oferta global estejam atualmente operando com prejuízo, considerando preços à vista e custos de frete.

A própria Vale tem uma parcela relativamente pequena de produção sem viabilidade econômica nessas condições. A administração estima que cerca de 5 milhões de toneladas por ano de sua produção estejam sob pressão, enquanto um ajuste potencialmente maior poderia ocorrer nos aproximadamente 30 milhões de toneladas anuais de minério comprados de terceiros.

A companhia não tem planos imediatos de fechar capacidade própria, segundo o BTG. Se as condições de mercado persistirem, no entanto, a Vale poderá reduzir parte das compras de terceiros e da produção de maior custo. A administração está revisando esses volumes sob o princípio de que cada navio que deixa o Brasil precisa gerar margem positiva. Uma redução também poderia melhorar o mix de produtos e a rentabilidade.

Oferta de minério pode precisar de ajuste

A Vale considera insustentável a atual economia do minério de ferro para uma parcela relevante da indústria e espera que uma racionalização da oferta ajude, com o tempo, a reequilibrar o mercado.

A China continua sendo a principal fonte de incerteza. A administração ainda não identificou evidências significativas de estímulos relevantes ou de cortes na capacidade siderúrgica, enquanto as exportações diretas e indiretas de aço chinês continuam absorvendo parte da produção do país. O crescimento na Índia e no Sudeste Asiático ajuda a compensar o enfraquecimento da atividade doméstica chinesa, segundo a XP.

A qualidade do minério é outro fator que favorece o posicionamento da Vale. A deterioração dos teores no setor e o aumento dos níveis de alumina ampliam o valor relativo dos produtos de maior qualidade da empresa e de sua capacidade de blendagem. Os primeiros embarques de Simandou, na Guiné, apresentaram teor de alumina superior ao inicialmente esperado, enquanto os novos produtos de médio teor de Carajás foram bem absorvidos pelo mercado, segundo a administração.

Cobre se torna principal vetor de crescimento da Vale

O cobre permanece como a principal prioridade de crescimento da Vale Base Metals, divisão de metais básicos da companhia.

A XP informou que Bacaba avança antes do cronograma, o CPF se aproxima de uma decisão final de investimento e Alemão aparece na sequência da carteira de desenvolvimento. Os projetos 118 e Cristalino estão em fase de estudos de viabilidade, enquanto Paulo Afonso está em pré-viabilidade.

A Vale também está ajustando o desenho do projeto Alemão para acelerar seu desenvolvimento, com discussões iniciais de licenciamento avançando. No caso de Hu’u, um projeto de cobre de grande porte e elevada complexidade, a administração considera trazer um parceiro estratégico principalmente para agregar conhecimento técnico e reduzir riscos de execução. Hu’u não está incluído no atual plano da companhia de atingir 700 mil toneladas de produção de cobre.

A empresa considera que sua atual carteira de projetos de cobre pode ser financiada organicamente. Uma eventual oferta pública inicial de ações da Vale Base Metals continua entre as alternativas estratégicas, mas a administração não vê uma listagem como prioridade de curto prazo nem como fonte necessária de capital para os projetos atuais.

A XP informou que a Vale Base Metals pretende aproximadamente dobrar sua produção até 2035. A Vale também considera que a expansão no cobre pode ajudar a reduzir seu desconto de avaliação em relação às grandes mineradoras globais, diferença que a administração atribui parcialmente à maior exposição da companhia ao minério de ferro e à menor participação do cobre no portfólio.

Contratos de frete reduzem pressão de custos

A estratégia de frete da Vale limita sua exposição ao recente aumento dos custos de transporte marítimo.

Cerca de 70% a 75% do frete da companhia está estruturalmente coberto por contratos de longo prazo ou embarcações dedicadas, segundo o BTG. A XP informou que a exposição de 2026 está integralmente contratada e que aproximadamente 75% da exposição estimada a afretamentos por tempo em 2027 já está protegida.

Para 2027, a Vale já protegeu cerca de 70% de suas necessidades de bunker a um preço equivalente de petróleo de aproximadamente US$ 78 por barril. Com o combustível marítimo próximo de US$ 750 por tonelada no momento do relatório do BTG, a administração estimou que o custo de frete da parcela contratada no longo prazo ficaria em cerca de US$ 23 por tonelada no próximo ano, ante aproximadamente US$ 42 por tonelada no mercado à vista.

A administração espera que as tarifas de frete se normalizem ao longo do tempo com a entrada de novas embarcações no mercado, o que pode aliviar a atual limitação de capacidade de transporte marítimo.

Alocação de capital segue cautelosa

A Vale pretende aguardar o fechamento do ano antes de decidir sobre eventuais distribuições adicionais aos acionistas, incluindo dividendos ou recompras de ações. A administração citou as incertezas envolvendo os preços das commodities e as condições da oferta global.

O portfólio mais amplo da companhia continua concentrado em minério de ferro, cobre e níquel. No níquel, a prioridade é elevar a eficiência dos ativos existentes, e não buscar crescimento por meio de grandes aquisições. Terras raras não estão atualmente entre as áreas consideradas para diversificação.

A Samarco, joint venture da Vale com a BHP Group, também vem melhorando suas operações, com expectativa de atingir capacidade de aproximadamente 28 milhões de toneladas por ano. A administração vê cada vez mais a operação como uma potencial fonte relevante de valor para a Vale.


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