By Brazil Stock Guide – A JBS está ampliando sua aposta em ingredientes de maior valor agregado com a criação de uma unidade que pretende ajudar outras empresas de alimentos e bebidas a desenvolver produtos ricos em proteína — da formulação inicial até a produção e chegada às prateleiras.
A nova operação, chamada Genu-in Solutions, representa uma mudança no modelo de negócios da Genu-in, braço da JBS especializado em peptídeos de colágeno e gelatina. Em vez de vender apenas o ingrediente, a empresa quer participar de uma parcela maior da cadeia de desenvolvimento dos produtos de seus clientes.
A estratégia coloca a maior processadora de carnes do mundo mais perto de um mercado em expansão que inclui snacks proteicos, bebidas prontas para consumo, produtos lácteos, gomas e suplementos — e, ao mesmo tempo, amplia a monetização de matérias-primas originadas da própria cadeia bovina da JBS.
O movimento é parte de uma estratégia mais ampla da companhia de transformar subprodutos de suas operações de proteína animal em negócios de maior valor agregado. A Genu-in utiliza partes do couro bovino da cadeia da JBS para produzir colágeno e gelatina, um exemplo da chamada economia circular que o grupo também aplica em atividades como biodiesel, fertilizantes e reciclagem.
A JBS investiu cerca de R$ 400 milhões na fábrica da Genu-in em Presidente Epitácio, no interior de São Paulo. Inaugurada em 2022, a unidade tem capacidade para produzir anualmente cerca de 6 mil toneladas de peptídeos de colágeno e outras 6 mil toneladas de gelatina. Com a Genu-in Solutions, porém, a ambição vai além de vender esse volume como matéria-prima.
A empresa pretende oferecer aos clientes uma estrutura que pode incluir desenvolvimento da formulação, escolha e aplicação dos ingredientes, avaliação regulatória, testes de estabilidade, preparação da produção industrial, comunicação e logística. O cliente poderá contratar apenas algumas dessas etapas ou transferir praticamente todo o desenvolvimento para a JBS.
“Com a Genu-in Solutions, avançamos do ingrediente para o desenvolvimento do produto final, combinando nosso conhecimento em proteínas com pesquisa e tecnologia”, disse Ricardo Gelain, presidente da JBS Novos Negócios.
De fornecedor a desenvolvedor
O novo modelo aproxima a Genu-in de empresas especializadas em food technology e contract development, nas quais o fornecedor deixa de competir apenas pelo preço de uma matéria-prima e passa a vender conhecimento técnico, propriedade intelectual, formulação e velocidade de lançamento.
Esse posicionamento pode ser especialmente relevante num momento em que fabricantes tradicionais tentam aumentar rapidamente suas ofertas de alimentos com maior teor proteico sem necessariamente montar internamente laboratórios e equipes dedicadas a cada nova categoria.
O mercado global de alimentos enriquecidos com proteína deve atingir cerca de US$ 101,6 bilhões em 2030, segundo estimativas da Grand View Research, com crescimento médio anual de 6,2% entre 2024 e 2030. A expansão ocorre para além das categorias tradicionais de suplementos e barras, alcançando bebidas, produtos lácteos, snacks, refeições congeladas e alimentos de consumo cotidiano.
A própria JBS já vem testando essa mudança de comportamento do consumidor dentro de casa. Em 2025, a Seara lançou uma linha de refeições congeladas com mais de 30 gramas de proteína por porção, utilizando colágeno da Genu-in na formulação. Agora, a intenção é oferecer conhecimento semelhante a outras companhias.
Primeiro produto está pronto
Entre os primeiros projetos desenvolvidos pela Genu-in Solutions está um snack proteico do tipo puff, que levou cerca de 18 meses para ser desenvolvido e tem 44% de proteína.
Segundo a JBS, o produto já passou pelos processos regulatórios e pelos estudos de estabilidade necessários e está pronto para ser comercializado no varejo. A companhia não informou qual marca deverá lançar o produto nem revelou contratos ou clientes da nova unidade.
Outras aplicações atualmente em desenvolvimento incluem gomas de colágeno e bebidas ready-to-drink, duas categorias nas quais fabricantes vêm procurando elevar o teor de proteína sem comprometer sabor, textura ou estabilidade.
Esse é justamente um dos principais desafios técnicos do setor. Adicionar proteína a uma bebida, queijo ou snack não significa simplesmente aumentar a quantidade de um ingrediente. Proteínas podem alterar viscosidade, sabor, transparência e textura e podem se comportar de maneira diferente durante o processamento ou ao longo da vida útil do produto.
Para resolver essas limitações, a JBS montou com o Instituto de Tecnologia de Alimentos, o Ital, um centro de pesquisa em Campinas dedicado a aplicações de colágeno em alimentos e bebidas. Inaugurada em 2025, a estrutura permite testar formulações em laboratório e plantas-piloto antes de levá-las à produção industrial.












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