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Renner abandona projeções até 2030 após queda de 24,5% no lucro comparável

Varejista aponta juros elevados, enfraquecimento do consumo e concorrência de plataformas internacionais. Vendas nas mesmas lojas recuam 2,5% no terceiro trimestre.

By Brazil Stock Guide — A Lojas Renner (B3: LREN3) anunciou nesta quinta-feira (5) que deixará de divulgar suas projeções de crescimento de receita para 2026 e para o período de 2027 a 2030, diante da deterioração das condições de consumo e do aumento da concorrência de plataformas internacionais. A decisão acompanhou a divulgação de lucro líquido comparável de R$ 187,1 milhões no terceiro trimestre de 2026, queda de 24,5% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O lucro líquido contábil somou R$ 246,4 milhões, recuo de 11,8%, enquanto a receita líquida de varejo diminuiu 1,6%, para R$ 3,03 bilhões. As vendas nas mesmas lojas caíram 2,5%, revertendo o crescimento de 3,1% registrado um ano antes. O EBITDA total ajustado recuou 3,9%, para R$ 570,9 milhões, com margem de 18,8%, ante 19,3% no terceiro trimestre de 2025.

Em fato relevante divulgado juntamente com o balanço, a Renner informou que a decisão de abandonar as projeções decorre de um ambiente macroeconômico de maior incerteza, marcado também por mudanças regulatórias relevantes para o setor. As estimativas de crescimento haviam sido divulgadas originalmente em dezembro de 2025 e revisadas, para o exercício de 2026, em agosto deste ano.

A companhia atribuiu parte das dificuldades à concorrência das plataformas internacionais de comércio eletrônico, cuja expansão teria sido favorecida, segundo o relatório de resultados, por um benefício fiscal federal concedido às operações de comércio transfronteiriço a partir de maio de 2026. A Renner também destacou a elevada sensibilidade dos consumidores aos preços, em um ambiente de juros altos e endividamento das famílias.

Na mensagem aos investidores, o presidente Fabio Faccio afirmou que a demanda apresentou recuperação gradual ao longo do trimestre, mas em ritmo inferior ao esperado. A empresa identificou maior procura por produtos básicos, versáteis e de preços mais acessíveis, levando à revisão do sortimento e das estratégias comerciais.

Apesar da retração das vendas, a margem bruta do varejo atingiu 55,5%, recorde para um terceiro trimestre e avanço de 0,4 ponto percentual em relação ao ano anterior. O desempenho foi favorecido por ganhos de eficiência e pelo câmbio, que compensaram a maior intensidade das promoções. O EBITDA específico do varejo cresceu 3,2%, para R$ 530,3 milhões.

O resultado da Realize, braço de serviços financeiros da companhia, caiu 49%, para R$ 40,7 milhões. As perdas com crédito, líquidas das recuperações, aumentaram 13%, para R$ 297,5 milhões, refletindo um ambiente mais desafiador para os consumidores. A Renner afirmou, entretanto, que os indicadores de inadimplência permanecem sob controle.

O comércio eletrônico apresentou desempenho superior ao das lojas físicas, com crescimento de 3,7% no volume bruto de mercadorias comercializadas (GMV), para R$ 705,1 milhões. O canal digital passou a representar 17,5% das vendas totais do varejo, ante 16,7% um ano antes. A companhia também ampliou o uso de inteligência artificial em recomendações de produtos, busca por imagens e provadores virtuais, além de iniciativas comerciais no TikTok Shop.

Metas de rentabilidade e expansão são mantidas

Embora tenha retirado as projeções de crescimento de receita, a Renner manteve seus objetivos de rentabilidade e expansão até 2030. A empresa continua trabalhando com uma margem EBITDA de varejo entre 18% e 20%, antes dos efeitos contábeis do IFRS 16, e retorno sobre o capital investido (ROIC) próximo de 20% até o final da década.

A companhia também preservou a meta de alcançar entre 570 e 600 lojas Renner no Brasil e entre 260 e 290 unidades Youcom até 2030. Para 2026, mantém o plano de investimentos de R$ 1,05 bilhão e a previsão de abertura de 50 a 60 lojas, considerando todas as marcas.

A Renner encerrou setembro com aproximadamente R$ 2 bilhões em caixa e posição de caixa líquido de R$ 1,2 bilhão. O fluxo de caixa livre do trimestre foi de R$ 423,4 milhões, queda de 10,6% na comparação anual. O ROIC dos últimos 12 meses alcançou 14,8%, avanço de 0,4 ponto percentual.

A decisão de abandonar as projeções de receita até 2030 revela uma mudança importante nas expectativas da companhia. Embora continue confiante na capacidade de melhorar a rentabilidade e ampliar sua rede de lojas, a Renner reconhece que o ritmo de crescimento das vendas se tornou menos previsível. Para os investidores, a questão central passa a ser até que ponto os ganhos de eficiência conseguirão compensar a fraqueza do consumo e a intensificação da concorrência no varejo brasileiro de moda.


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