By Brazil Stock Guide — A Suzano (B3: SUZB3; NYSE: SUZ) registrou lucro líquido de R$ 2,08 bilhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 6% em relação ao mesmo período do ano anterior, impulsionada pela incorporação das operações da Arbex, joint venture formada com a Kimberly-Clark, e pela melhora dos preços internacionais da celulose. A receita líquida avançou 36%, para R$ 16,52 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado cresceu 9%, para R$ 5,67 bilhões.
Apesar do crescimento, a rentabilidade operacional recuou. A margem EBITDA ajustada passou de 43% no terceiro trimestre de 2025 para 34% neste ano, refletindo a mudança na composição dos negócios e pressões de custos. A companhia também anunciou nesta quinta-feira (5) uma revisão para cima de sua estimativa de custo de produção de celulose em 2026, de R$ 800 para aproximadamente R$ 825 por tonelada.
A incorporação da Arbex, concluída em 1º de julho, foi determinante para a expansão da receita. Embora detenha 51% da joint venture, a Suzano consolida integralmente seus resultados financeiros. O segmento de bens de consumo, que inclui as operações de papel higiênico e outros produtos tissue, registrou receita de R$ 5,02 bilhões, crescimento de 600% em relação ao terceiro trimestre de 2025. O EBITDA ajustado da Arbex somou R$ 694 milhões, contribuindo para um resultado de R$ 803 milhões no segmento como um todo.
No negócio tradicional de celulose, as vendas somaram 3,19 milhões de toneladas, queda de 1% na comparação anual, enquanto o preço médio líquido no mercado externo avançou 13%, para US$ 591 por tonelada. O EBITDA ajustado do segmento cresceu 5%, para R$ 4,81 bilhões. Segundo a companhia, o mercado chinês apresentou sinais de recuperação ao longo do trimestre, favorecido pela redução dos estoques nos portos e pelo aumento dos custos de produção dos fabricantes locais.
O desempenho foi mais fraco em papel e embalagem. O EBITDA ajustado do segmento caiu 48%, para R$ 277 milhões, pressionado por dificuldades operacionais na fábrica de Pine Bluff, nos Estados Unidos, além de despesas logísticas mais elevadas. As vendas permaneceram praticamente estáveis em 374 mil toneladas.
O resultado financeiro líquido também contribuiu para o lucro, com saldo positivo de R$ 1,15 bilhão, ante R$ 1,05 bilhão um ano antes. As operações com derivativos produziram resultado contábil positivo de R$ 2,5 bilhões, refletindo principalmente ajustes de avaliação de instrumentos de proteção financeira. Desse total, o efeito líquido realizado em caixa com vencimentos de derivativos foi de R$ 368 milhões no trimestre.
Dívida cresce com aquisição da Arbex
A dívida líquida da Suzano alcançou US$ 14,7 bilhões no fim de setembro, aumento de 15% em relação ao trimestre anterior. A elevação decorreu principalmente do desembolso de US$ 1,3 bilhão para a aquisição da participação na Arbex e da incorporação de aproximadamente US$ 900 milhões em dívida líquida da joint venture. A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e EBITDA ajustado em dólares, subiu para 3,7 vezes, ante 3,4 vezes em junho. Considerando o EBITDA pro forma da Arbex nos últimos 12 meses, o indicador ficou em 3,4 vezes.
Em fato relevante divulgado juntamente com o balanço, a Suzano informou que espera encerrar 2026 com dívida líquida inferior a US$ 14 bilhões, considerando um câmbio de R$ 5,40 por dólar no fim do ano. A companhia manteve as metas anteriormente anunciadas de dívida líquida de US$ 11 bilhões e alavancagem inferior a 2,5 vezes, previstas para o período de 2027 a 2028. Essas metas de longo prazo, porém, não contemplam os efeitos da aquisição da Arbex.
Petróleo mais caro eleva projeção de custos
A Suzano também revisou sua projeção de custo caixa médio de produção de celulose em 2026, excluindo paradas programadas de manutenção, de R$ 800 para R$ 825 por tonelada, um aumento de aproximadamente 3,1%. A revisão considera o impacto do conflito no Oriente Médio sobre os preços de energia e insumos, além de novas premissas cambiais. A estimativa para o petróleo Brent passou de US$ 84 para US$ 94 por barril, enquanto a projeção de câmbio médio anual subiu de R$ 5,07 para R$ 5,20 por dólar.
No terceiro trimestre, o custo caixa de celulose, desconsiderando paradas de manutenção, foi de R$ 825 por tonelada, alta de 3% em relação ao mesmo período de 2025, embora tenha recuado 2% frente ao segundo trimestre. A geração de caixa operacional da companhia atingiu R$ 3,84 bilhões, crescimento anual de 12%. Já o fluxo de caixa livre ajustado somou R$ 2,63 bilhões, avanço de 25%, enquanto o fluxo de caixa livre total ficou negativo em R$ 3,03 bilhões, afetado pelo desembolso relacionado à aquisição da Arbex.
Os resultados mostram uma Suzano com maior diversificação geográfica e de produtos, mas também com uma estrutura financeira mais alavancada após a expansão internacional. A recuperação dos preços da celulose e a contribuição dos novos negócios favorecem a geração operacional de resultados, enquanto a pressão sobre os custos, a queda da margem consolidada e o aumento do endividamento permanecem entre os principais pontos de atenção para os próximos trimestres.













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