By Brazil Stock Guide – A Oncoclínicas do Brasil (ONCO3) está vendendo sua participação minoritária em uma joint venture na Arábia Saudita e concordou em receber R$ 90 milhões para encerrar uma cobrança de R$ 159,2 milhões contra uma operadora regional da Unimed. As duas medidas buscam levantar caixa e simplificar as finanças da companhia durante seu processo de reestruturação da dívida.
O grupo de tratamento oncológico informou que assinou, em 31 de julho, um acordo para vender a totalidade de sua participação de 27,49% na Specialized Medical Treatment Company para a saudita Advanced Drug Company for Pharmaceuticals. A fatia corresponde a 45 milhões de ações, segundo fato relevante divulgado nesta segunda-feira.
A Oncoclínicas não informou o valor da venda, as condições de pagamento nem o possível impacto contábil da transação. A ausência dessas informações impede avaliar quanto a operação poderá contribuir para as necessidades imediatas de liquidez da companhia.
Segundo a empresa, a venda faz parte das medidas adotadas no âmbito de seu processo de recuperação extrajudicial, cujo pedido de homologação foi apresentado em 13 de julho à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central de São Paulo.
Em outro fato relevante, a Oncoclínicas informou que sua subsidiária Navarra RJ Serviços Oncológicos chegou a um acordo com a Unimed São Gonçalo Niterói, operadora da marca Unimed Leste Fluminense, para encerrar uma ação de execução de dívida.
A Navarra cobrava R$ 159,18 milhões após a operadora deixar de pagar parcelas previstas em instrumentos de confissão de dívida. Pelo acordo, a Unimed Leste Fluminense pagará R$ 90 milhões, ainda sujeitos à homologação judicial.
O valor representa um desconto de aproximadamente R$ 69,2 milhões, ou 43,5%, sobre o montante cobrado judicialmente. Ainda assim, transformar um crédito em disputa em recursos potencialmente disponíveis pode ser mais vantajoso para a Oncoclínicas do que buscar o valor integral em um processo judicial possivelmente prolongado.
O fato relevante não informou quando os R$ 90 milhões serão pagos, se o valor será transferido à vista ou em parcelas nem quanto desse crédito já havia sido provisionado. Esses detalhes serão determinantes para medir o impacto imediato sobre o resultado e o fluxo de caixa.
Em conjunto, a venda da participação saudita e o acordo com a Unimed mostram a Oncoclínicas atuando em diferentes frentes para gerar liquidez, reduzir a exposição a ativos não essenciais e acelerar a recuperação de recebíveis.
A transação também representa um recuo em uma iniciativa de expansão internacional, em um momento no qual a prioridade da administração passou a ser a recuperação do balanço e a preservação de caixa no Brasil.
Para os investidores, o preço não divulgado da participação saudita permanece como a principal informação ausente. Um pagamento relevante poderia reforçar o processo de reestruturação financeira da companhia, enquanto uma avaliação baixa evidenciaria o limitado poder de negociação de um vendedor sob pressão financeira.
As operações não resolvem, isoladamente, os desafios financeiros da Oncoclínicas, mas reduzem duas fontes de incerteza: um investimento minoritário e de baixa liquidez no exterior e um recebível de R$ 159 milhões que estava em disputa judicial.

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