By Brazil Stock Guide – O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu anunciaram nesta quinta-feira o início de uma avaliação para uma possível interligação entre o Pix e o TIPS, a infraestrutura de pagamentos instantâneos operada pelo Eurosistema.
O estudo analisará questões técnicas, operacionais, jurídicas e de negócio antes de qualquer decisão sobre a implementação da conexão. Não foi divulgado prazo para a conclusão da análise nem para uma eventual entrada em operação.
Se concretizada, a integração abriria uma nova frente para a internacionalização do Pix e poderia permitir que transferências entre Brasil e países europeus fossem concluídas em poucos segundos, com o destinatário recebendo os recursos diretamente em moeda local.
Na prática, a iniciativa busca atacar alguns dos principais problemas dos pagamentos internacionais tradicionais: custo elevado, demora na liquidação e necessidade de múltiplos intermediários.
O TIPS, sigla para TARGET Instant Payment Settlement, é uma infraestrutura pública do Eurosistema que liquida pagamentos instantâneos em dinheiro de banco central. O sistema opera atualmente com euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa e deverá incorporar outras moedas do Espaço Econômico Europeu.
A aproximação com o Brasil faz parte de uma estratégia mais ampla do BCE para conectar o TIPS a sistemas de pagamentos instantâneos fora da Europa. O Eurosistema já trabalha em iniciativas envolvendo a Índia, a Suíça e o Nexus, projeto multilateral voltado à interligação de plataformas nacionais de pagamentos.
Para o Banco Central brasileiro, a iniciativa representa mais um passo na transformação do Pix de uma infraestrutura essencialmente doméstica em uma plataforma capaz de se conectar a sistemas estrangeiros.
A potencial ligação com a Europa é particularmente relevante pelo volume de comércio, investimentos, turismo e remessas entre as duas regiões. Uma conexão direta entre as infraestruturas poderia reduzir a dependência das cadeias tradicionais de bancos correspondentes para determinados tipos de transação.
Isso não significa, porém, que brasileiros poderão imediatamente usar uma chave Pix para pagar qualquer estabelecimento europeu. A arquitetura da conexão, as regras cambiais, a conversão entre moedas, os participantes autorizados e a experiência final oferecida a consumidores e empresas ainda precisarão ser definidos.
O projeto também se insere no esforço internacional coordenado pelo G20 para tornar pagamentos transfronteiriços mais rápidos, baratos e transparentes.
Caso a integração avance, uma compra ou remessa iniciada em reais no Brasil poderá, em tese, chegar ao destinatário europeu em euros — ou em outra moeda suportada pela infraestrutura — em questão de segundos.
Seria uma mudança importante de escala para o Pix: criado como sistema doméstico de pagamentos instantâneos, ele passaria a funcionar também como uma das portas de entrada do Brasil para uma rede internacional de pagamentos em tempo real.













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