By Brazil Stock Guide – O governo brasileiro determinou que o combustível nuclear de Angra 1 e Angra 2 passe por comparações periódicas com preços internacionais. A resolução do Conselho Nacional de Política Energética, publicada nesta terça-feira, 25 de agosto, determina que a ENBPar compare os preços praticados pela Indústrias Nucleares do Brasil, a INB, com benchmarks globais.
A análise deverá cobrir mineração, conversão, enriquecimento, fabricação e fornecimento do combustível. Também deverá considerar contratos de referência e custos médios internacionais. Caso encontre diferenças relevantes, a ENBPar terá de apresentar uma justificativa técnica. Quando cabível, também deverá indicar um plano para aproximar os preços brasileiros das referências internacionais.
A mudança afeta diretamente a Eletronuclear, operadora de Angra 1 e Angra 2 e principal compradora do combustível produzido pela INB.
A INB detém o monopólio da produção e comercialização de materiais nucleares no Brasil. A nova regra não altera essa estrutura. Ela cria, porém, uma referência externa para avaliar quanto esse monopólio cobra.
Preços menores para o combustível podem reduzir despesas da Eletronuclear. Isso poderia melhorar sua estrutura financeira, embora não represente automaticamente maior lucro para seus acionistas. A própria resolução destaca a necessidade de transparência sobre o repasse dos custos do combustível às tarifas de Angra 1 e Angra 2.
Em 2025, o consumo de combustível nuclear aumentou os custos da Eletronuclear em R$ 62 milhões na comparação anual. Angra 2 registrou aumento de R$ 110 milhões, enquanto Angra 1 apresentou redução de R$ 48 milhões. INB e Eletronuclear também mantêm um contrato assinado em 2022 para dez recargas nucleares, cinco para cada usina.
Na época, a INB disse que o acordo ajudaria a empresa a avançar em direção à autossuficiência financeira. Esse objetivo agora precisa conviver com outra exigência: mostrar que seus preços fazem sentido diante do mercado internacional. O desafio é especialmente sensível porque o Brasil mantém partes do ciclo nuclear dentro do país por razões estratégicas e de segurança energética.
A capacidade doméstica de enriquecimento ainda não atende integralmente às necessidades das usinas. Diferenças de preço em relação ao exterior podem, portanto, refletir escala menor, investimentos industriais e a decisão de manter tecnologia e produção dentro do Brasil. A resolução permite que esses fatores sejam considerados. Mas o governo passa a exigir que eventuais diferenças relevantes sejam quantificadas e explicadas.
A ENBPar deverá atualizar o estudo pelo menos a cada cinco anos. Poderá, porém, fazer revisões antes disso caso o mercado internacional sofra mudanças relevantes. Os relatórios também deverão ser divulgados publicamente, exceto por informações protegidas por sigilo. A medida não determina redução imediata do preço do combustível. Também não afirma que a INB esteja cobrando acima do mercado.
Mudanças societárias
O movimento ocorre enquanto a composição acionária da Eletronuclear passa por uma transformação. A Âmbar Energia, braço de energia da J&F, acertou em outubro de 2025 a compra da participação da antiga Eletrobras, hoje Axia Energia, (B3: AXIA3) na Eletronuclear por R$ 535 milhões, cerca de US$ 104 milhões.
A fatia representa 67,95% do capital total da companhia, mas apenas 35,9% das ações ordinárias com direito a voto. A ENBPar continuará controlando a Eletronuclear com 64,1% das ações ordinárias. A operação continua pendente.












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