Meta Pixel

Aneel nega perícia à Enel e leva processo de caducidade à fase final

Distribuidora terá dez dias para apresentar alegações finais; depois disso, agência poderá decidir se recomenda ao governo a extinção da concessão em São Paulo.

Enel, energy

By Brazil Stock Guide – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) rejeitou um pedido da Enel Distribuição São Paulo para realizar uma perícia independente no processo que pode levar à perda de sua concessão na maior região metropolitana do país.

A decisão, tomada na segunda-feira (24), encerra a fase de instrução do procedimento administrativo. A Enel terá agora dez dias para apresentar suas alegações finais, último passo antes de a diretoria da agência deliberar sobre uma eventual recomendação de caducidade da concessão.

A decisão final sobre a extinção do contrato não cabe à Aneel. Caso a agência recomende a caducidade, o processo será encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, responsável pela palavra final sobre a concessão.

A Enel havia solicitado uma perícia externa alegando que o processo envolve questões de alta complexidade técnica, incluindo aspectos meteorológicos, operacionais, estatísticos e regulatórios. A companhia sustentou que uma análise independente permitiria revisar premissas adotadas pela fiscalização e esclarecer divergências sobre sua atuação durante o evento climático de dezembro de 2025.

A distribuidora também questionou a imparcialidade do processo, argumentando que a Aneel concentra as funções de fiscalizar, instruir e julgar o caso e que, por isso, a decisão não deveria se apoiar exclusivamente em avaliações produzidas pelo próprio corpo técnico da agência.

A diretoria rejeitou o argumento. Segundo a Aneel, a combinação dessas atribuições faz parte do modelo institucional das agências reguladoras brasileiras, e relatórios, notas técnicas e pareceres elaborados por servidores da agência são instrumentos legítimos para fundamentar decisões administrativas.

A Aneel também concluiu que não seria necessária uma perícia adicional porque os autos já contêm elementos técnicos suficientes para uma decisão. Para a agência, a questão central não é determinar a severidade do evento climático de dezembro — que não está em discussão —, mas avaliar se a Enel tinha estrutura adequada para se preparar, responder à emergência e restabelecer o fornecimento de energia.

O processo de caducidade foi aberto em abril, depois que a Aneel concluiu que a Enel não havia corrigido de forma definitiva falhas apontadas anteriormente pela fiscalização. A agência afirma que a distribuidora apresentou desempenho insatisfatório em eventos climáticos extremos ocorridos em 2023, 2024 e 2025, quando milhões de consumidores em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo enfrentaram interrupções prolongadas.

A Enel vem tentando contestar o avanço do processo. Em 11 de agosto, a diretoria da Aneel já havia rejeitado um pedido da companhia para suspender o procedimento, mantendo em curso a análise que pode resultar na recomendação de extinção do contrato.

Com a nova decisão, a disputa entra em sua etapa decisiva. Depois das alegações finais da Enel, a diretoria da Aneel estará em condições de decidir se recomenda ao Ministério de Minas e Energia que retire da companhia a concessão de distribuição de energia elétrica em São Paulo.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe uma resposta

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo