By Brazil Stock Guide — Os fundos de pensão Previ e Petros aprovaram um waiver para a 3ª emissão de debêntures da Invepar, uma dívida de cerca de R$ 100 milhões, em meio a negociações mais amplas para equacionar um endividamento financeiro estimado em R$ 1,4 bilhão.
O vencimento dos papéis da 3ª emissão, detidos por Previ e Petros, foi postergado para 31 de dezembro de 2026. O prazo anterior terminava no fim de agosto.
A informação surgiu de documentos tornados públicos pela companhia na CVM apenas na tarde desta quinta-feira. As atas tratam de assembleias de debenturistas realizadas anteriormente, incluindo uma reunião de 14 de agosto, e detalham a concessão de waivers e a extensão até dezembro do prazo para regularização de uma série de descumprimentos relacionados à 3ª emissão.
Os documentos foram divulgados depois da publicação, pelo Brazil Stock Guide, da corrida sobre o vencimento das debêntures da Invepar. A empresa possui vencimentos de R$ 400 milhões em duas debêntures até o final do mês.
As atas deixam clara uma diferença importante entre as duas principais emissões da holding: elas mostram um entendimento entre Previ e Petros sobre a 3ª emissão, mas não trazem qualquer deliberação semelhante envolvendo a Funcef e a 5ª emissão.
O saldo da 3ª emissão é estimado em aproximadamente R$ 100 milhões. No fim de 2025, a Invepar informava R$ 87,5 milhões nessa dívida, mas não apresentou no balanço do segundo trimestre o saldo atualizado de cada emissão separadamente.
A situação da 5ª emissão, de aproximadamente R$ 300 milhões, permanece diferente. Segundo fontes a par das negociações, os papéis estão divididos entre Funcef, com cerca de 52%, e Previ, com 48%. A emissão também tem vencimento previsto para o fim de agosto e, até agora, não há documento público conhecido mostrando uma postergação semelhante à apurada para a 3ª emissão.
Segundo apurou o Brazil Stock Guide, a Funcef ainda não concedeu o waiver.
A participação de cerca de 52% dá ao fundo posição majoritária na emissão e, segundo pessoas familiarizadas com sua estrutura, poder decisivo em determinadas deliberações. Isso mantém aberta a possibilidade de que a dívida chegue ao vencimento sem uma solução negociada.
O principal ativo da Invepar é sua participação no Aeroporto Internacional de Guarulhos. A holding possui 80% da Grupar, que controla 51% do GRU Airport.
Acionistas e credores
A diferença entre as duas emissões reforça a complexidade da reestruturação financeira da Invepar. Previ, Petros e Funcef aparecem simultaneamente como acionistas da holding e credores de suas debêntures, ficando expostos tanto ao valor do capital quanto à recuperação dos créditos.
A decisão é relevante porque Previ e Petros estiveram em lados diferentes até recentemente. Um impasse entre os acionistas (Previ e Yosemite formam um bloco com 50% do capital, enquanto Petros e Funcef reúnem a outra metade) bloqueou propostas para ampliar em R$ 1,5 bilhão o capital autorizado da companhia e dar maior flexibilidade a futuras emissões de debêntures conversíveis em ações.
Dívida bancária perto de R$ 1 bilhão
Mas as debêntures representam apenas uma parte do passivo em negociação. O balanço do segundo trimestre já mostrava cerca de R$ 1,4 bilhão em dívida financeira na holding, incluindo pouco mais de R$ 1 bilhão em empréstimos e financiamentos.
A dívida bancária envolve Bradesco, BTG Pactual, Banco do Brasil e Itaú, segundo pessoas familiarizadas com as discussões. As mesmas fontes dizem que os bancos já notificaram a Invepar sobre o vencimento de obrigações, aumentando a pressão por uma solução com os diferentes grupos de credores.
É nessa negociação que está concentrada a atuação da Laplace, assessoria financeira contratada pela Invepar para trabalhar em alternativas de reestruturação do passivo e da estrutura de capital.
A Laplace substituiu o BR Partners após divergências sobre um parecer de liquidez e solvência. A Invepar alegou erros e pediu revisão de premissas, enquanto o banco defendeu a independência do trabalho e afirmou que alterações nas conclusões sem suporte técnico ou factual poderiam representar “ingerência indevida”.
Segundo pessoas familiarizadas com as negociações atuais, os bancos não têm, a princípio, interesse em receber participação acionária da Invepar em uma eventual reestruturação. Fontes avaliam, porém, que uma solução envolvendo capitalização, conversão de créditos ou entrada de novos recursos pode acabar sendo necessária caso a companhia não consiga alongar suas obrigações.
A alternativa ganha relevância diante do risco de uma recuperação judicial, cenário que credores e acionistas tentam evitar, segundo pessoas a par das discussões.
Procuradas, Previ e Petros não comentaram. A Funcef não respondeu aos pedidos de comentário. A Invepar informou que também não se manifestaria sobre o assunto.













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