By Brazil Stock Guide – A Hapvida (HAPV3) afirmou que as medidas envolvendo parte da revisão de sua carteira de clientes estão relacionadas a contratos inadimplentes e à renegociação de grandes contratos coletivos empresariais que apresentam desequilíbrio econômico-financeiro, após a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) anunciar uma cautelar para suspender reajustes e rescisões enquanto apura o caso.
Segundo a empresa, as negociações desses contratos ocorrem nos períodos regulares de renovação, de forma individualizada e em conformidade com as normas da ANS.
A decisão do regulador ocorre pouco mais de uma semana depois de a Hapvida informar ao mercado que estava revisando aproximadamente 947 mil beneficiários, equivalentes a cerca de 11% de sua carteira de planos de saúde, como parte de uma estratégia para recuperar margens, fortalecer a geração de caixa e reduzir a alavancagem.
Na divulgação dos resultados do segundo trimestre, a companhia disse que estava reavaliando contratos potencialmente deficitários e adotando critérios mais rigorosos para clientes inadimplentes. Nos ciclos de renovação, a estratégia incluía buscar reajustes capazes de restabelecer o equilíbrio econômico dos contratos e cobrar valores vencidos.
A revisão ganhou relevância após uma forte deterioração da rentabilidade da operadora e faz parte da estratégia de recuperação da rentabilidade da companhia. O Ebitda ajustado da Hapvida caiu para R$ 504,4 milhões no segundo trimestre, ante R$ 905,4 milhões um ano antes.
Nesta quinta-feira, o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous, afirmou que a agência decidiu impedir preventivamente reajustes e rescisões relacionados à iniciativa até que a companhia apresente esclarecimentos. Segundo Damous, a dimensão da revisão levantou preocupação sobre uma possível seleção de risco, prática proibida pela regulação da saúde suplementar.
A Hapvida rejeitou a interpretação de que esteja promovendo um cancelamento generalizado da carteira. “A revisão desses contratos não significa, necessariamente, o seu cancelamento. O processo contempla a negociação com as empresas contratantes e a busca por condições que permitam o reequilíbrio e a continuidade dos contratos, respeitados os critérios contratuais e regulatórios aplicáveis”, afirma a Hapvida, em nota. “A decisão de rescisão ou saída será sempre do cliente, caso as bases de sustentabilidade do contrato não sejam, dentro do regime da livre iniciativa, alcançadas.”
A Hapvida disse ainda que recebeu a informação sobre a cautelar da ANS por meio da imprensa e que não havia sido formalmente notificada sobre a medida. A empresa solicitou uma audiência com a ANS, afirmando que não havia sido chamada previamente a apresentar os elementos técnicos, contratuais e regulatórios relacionados à revisão da carteira. A companhia afirmou que mantém interlocução permanente com o regulador e que apresentará todos os esclarecimentos solicitados.













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