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Lucro da Movida mais que dobra no 3T26, com margens recordes e redução da alavancagem

Locadora registra alta de 117% no lucro líquido, impulsionada pelo aumento da demanda, reajuste de tarifas e ganhos de eficiência.

Movida, rent a car

By Brazil Stock Guide — A Movida (MOVI3) registrou lucro líquido de R$ 152 milhões no terceiro trimestre de 2026, crescimento de 117,4% em relação ao mesmo período do ano passado e acima da projeção divulgada pela companhia. O EBITDA consolidado avançou 21,4%, para o recorde de R$ 1,795 bilhão, enquanto a receita líquida cresceu 2,8%, alcançando R$ 3,87 bilhões. O lucro operacional (EBIT) subiu 27,2%, para R$ 1,086 bilhão.

Os resultados refletem uma melhora expressiva da rentabilidade das operações de locação, mesmo com o crescimento mais moderado da receita consolidada. O faturamento combinado das atividades de aluguel de veículos e gestão de frotas aumentou 19,3%, para R$ 2,399 bilhões, superando a expansão de 9,9% da frota média operacional. O retorno sobre o capital investido (ROIC) atingiu 16,6% nos últimos 12 meses, avanço de 2,2 pontos percentuais em relação ao ano anterior e 5,8 pontos acima do custo médio da dívida.

A operação de aluguel de veículos (Rent-a-Car) apresentou um dos desempenhos mais fortes do trimestre. O volume de diárias cresceu 22,2%, chegando a 7,4 milhões, enquanto a taxa de ocupação da frota avançou 5,9 pontos percentuais, para 77,7%. A tarifa média subiu 5%, para R$ 167 por diária. Com isso, a receita do segmento aumentou 27,8%, para R$ 1,117 bilhão, e o EBITDA avançou 29,6%, para R$ 780 milhões, com margem recorde de 69,8%.

Na divisão de gestão e terceirização de frotas (GTF), a receita cresceu 15%, para R$ 1,189 bilhão, enquanto o EBITDA aumentou 19,1%, alcançando R$ 942 milhões. A margem EBITDA atingiu o recorde de 79,2%. Os novos contratos firmados no trimestre apresentaram rentabilidade média mensal de 3,7%, ante 3,4% no terceiro trimestre de 2025, indicando potencial de melhora adicional das margens à medida que os contratos antigos forem renovados em condições mais favoráveis.

O negócio de seminovos vendeu aproximadamente 20,1 mil veículos no trimestre, gerando receita de R$ 1,471 bilhão, abaixo dos R$ 1,755 bilhão registrados um ano antes. Apesar da redução no volume de desmobilização da frota, a margem bruta aumentou 0,9 ponto percentual, para 5,8%, beneficiada pela maior participação das vendas no varejo. A idade média da frota de aluguel recuou para 12 meses, queda de 4,4% em relação ao trimestre anterior.

Mesmo diante do elevado custo dos juros no Brasil, a Movida continuou reduzindo sua alavancagem. A dívida líquida encerrou setembro em R$ 17,5 bilhões, enquanto a relação entre dívida líquida e EBITDA caiu para 2,56 vezes, ante 2,74 vezes um ano antes, atingindo o menor patamar em seis anos. A companhia terminou o trimestre com R$ 3,5 bilhões em caixa e ampliou o prazo médio de sua dívida de 3,2 para 4,2 anos. As despesas financeiras líquidas, contudo, cresceram 13,3%, para R$ 900,7 milhões.

A geração de caixa permanece como um dos principais pontos de atenção para os investidores. O fluxo de caixa livre antes dos juros recuou de R$ 572,5 milhões para R$ 224 milhões, enquanto o investimento líquido em frota aumentou para R$ 1,407 bilhão, principalmente em razão da expansão da atividade de gestão e terceirização de veículos. A combinação de margens operacionais recordes, maior retorno sobre o capital e redução da alavancagem indica uma melhora do perfil financeiro da Movida, embora a necessidade elevada de investimentos e o peso das despesas financeiras continuem representando desafios para a companhia.


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