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Guru de Wall Street vê erro do mercado sobre Bolsonaro por trás do tombo da Bolsa

Mohamed El-Erian, ex-CEO da PIMCO, afirma que a intensidade da queda dos ativos brasileiros reflete o excesso de confiança dos investidores em uma vitória de Flávio Bolsonaro.

By Brazil Stock Guide — O economista Mohamed El-Erian, uma das vozes mais influentes de Wall Street, atribuiu a dimensão da queda dos ativos brasileiros nesta segunda-feira (26) ao excesso de confiança do mercado financeiro em uma vitória de Flávio Bolsonaro na eleição presidencial. Para o ex-CEO da PIMCO e atual conselheiro econômico-chefe da Allianz, a reação dos investidores à reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva diz mais sobre o erro de avaliação do consenso financeiro do que sobre uma mudança efetiva nas perspectivas econômicas do Brasil.

“A magnitude extraordinária da liquidação de ativos brasileiros hoje tem menos a ver com as perspectivas fundamentais do Brasil e mais com o grau de confiança — e de erro — do consenso do mercado financeiro em relação a uma vitória de Bolsonaro”, escreveu El-Erian em publicação na rede X. O comentário sugere que parte relevante da turbulência resultou da necessidade de desfazer posições construídas sobre um cenário eleitoral que não se confirmou.

Professor da Wharton School, da Universidade da Pensilvânia, El-Erian foi CEO e codiretor de investimentos da PIMCO, uma das maiores gestoras de renda fixa do mundo, além de ter dirigido a Harvard Management Company e ocupado cargos no Fundo Monetário Internacional. Atualmente, também preside a Gramercy Funds Management. Suas análises sobre política monetária, riscos macroeconômicos e fluxos internacionais de capital são acompanhadas por investidores institucionais e formuladores de políticas econômicas.

A avaliação veio em meio a uma das sessões mais turbulentas da história recente do mercado brasileiro. O Ibovespa encerrou o primeiro pregão após o segundo turno em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos, depois de recuar mais de 17% durante o dia e provocar a interrupção temporária dos negócios pela B3. Foi a maior queda diária do índice desde março de 2020. O dólar avançou 8,21%, para R$ 5,403, registrando sua maior valorização percentual diária desde janeiro de 1999.

O contraste com a reação ao primeiro turno ajuda a explicar a interpretação de El-Erian. Em 5 de outubro, após Flávio Bolsonaro terminar a votação à frente de Lula, o Ibovespa havia disparado 7,70%, alcançando um recorde histórico, enquanto o dólar recuara cerca de 4,1%. O movimento refletia a expectativa de investidores de uma mudança de governo. Três semanas depois, a vitória de Lula obrigou o mercado a reavaliar esse cenário, em um processo de reversão de posições que ampliou a volatilidade.

A análise de El-Erian não significa que as preocupações fiscais com o próximo governo tenham desaparecido, nem que toda a queda possa ser atribuída exclusivamente a posições equivocadas. Sua observação, porém, introduz uma distinção importante: a deterioração dos fundamentos econômicos e o ajuste de preços provocado por expectativas frustradas são fenômenos diferentes. Sem uma medida precisa do volume das apostas eleitorais, não é possível quantificar quanto da queda decorreu de cada fator. Para El-Erian, contudo, o tamanho extraordinário da reação revela sobretudo o custo de um consenso financeiro que se mostrou errado.


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