Meta Pixel

Azul obtém R$ 2 bilhões com garantia da União para financiar compra de combustível

Operação apoiada pelo Fundo de Garantia à Exportação reforça a liquidez da companhia após reestruturação financeira e em meio à pressão dos custos do querosene de aviação.

Azul rejects Embraer leases

By Brazil Stock Guide — A Azul anunciou a contratação de um financiamento de até R$ 2 bilhões, com garantia de risco de crédito da União, para custear a compra de combustível destinado exclusivamente aos seus voos domésticos regulares. A operação, divulgada em fato relevante no sábado (24), integra o plano de reestruturação financeira da companhia e busca aliviar a pressão sobre o caixa provocada pela volatilidade dos preços do querosene de aviação.

A cobertura do risco será concedida por meio da Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF), utilizando recursos do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). O mecanismo não representa um aporte direto de R$ 2 bilhões do governo federal na companhia, mas uma garantia pública que reduz a exposição dos financiadores a eventuais perdas por inadimplência e pode facilitar o acesso ao crédito.

O financiamento utiliza um instrumento autorizado pelo governo federal em novembro de 2025, quando a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aprovou o uso do FGE para garantir operações de compra de combustível pelas companhias aéreas. Pelas regras anunciadas na ocasião, empresas com participação superior a 1% no mercado doméstico podem obter garantias de até R$ 2 bilhões por ano, mediante compromissos de descarbonização, incluindo iniciativas relacionadas ao combustível sustentável de aviação (SAF).

A nova operação ocorre em um momento delicado para a Azul. A empresa concluiu em fevereiro sua reestruturação sob o Chapter 11 da legislação americana, mas continua enfrentando dificuldades para recuperar as margens operacionais. Em entrevista à Reuters na semana passada, o diretor financeiro, Antonio Carlos Garcia, afirmou que a recuperação poderá demorar um ano ou mais além do inicialmente previsto caso os preços do combustível permaneçam elevados.

Segundo Garcia, a Azul conseguiu repassar aos passageiros entre 60% e 65% dos aumentos do custo do combustível por meio das tarifas. A companhia também reduziu sua capacidade em mais de 10% no segundo trimestre e prevê encerrar 2026 com uma oferta de assentos aproximadamente 5% inferior à de 2025. A estratégia é preservar a rentabilidade, evitando uma expansão agressiva enquanto os custos permanecem pressionados.

A companhia informou em agosto que sua dívida total havia recuado para R$ 21,4 bilhões após a reestruturação. Embora esteja se aproximando de uma geração positiva de caixa livre operacional, pagamentos relacionados à reorganização financeira continuam limitando sua capacidade de acumular recursos. Nesse contexto, a nova linha de financiamento permite direcionar crédito especificamente para uma das principais despesas da operação aérea, preservando liquidez para outros compromissos.

O fato relevante não informou a instituição financeira responsável pela concessão do crédito, as taxas de juros, o prazo de vencimento, o cronograma de utilização dos recursos nem as condições específicas da garantia federal. Também não detalhou as contrapartidas ambientais assumidas pela companhia.

Para a Azul, o financiamento representa mais uma fonte de liquidez em um momento de recuperação ainda incompleta. Para o governo, a operação coloca em prática um mecanismo de apoio ao setor aéreo que utiliza garantias públicas para facilitar o crédito privado. O efeito imediato é oferecer maior fôlego financeiro à empresa; a recuperação sustentável de suas margens, porém, continuará dependendo da evolução dos preços do combustível, das tarifas e da geração de caixa.


Clear insights on Brazilian equities

Join portfolio managers and investors who get our curated analysis on Latin America’s largest economy.

Advertisement

Deixe um comentário

Descubra mais sobre Brazil Stock Guide

Assine agora mesmo para continuar lendo e ter acesso ao arquivo completo.

Continuar lendo