By Brazil Stock Guide – A Embraer (B3: EMBJ3; NYSE: EMBJ) dobrou a projeção mínima de fluxo de caixa livre para 2026 e elevou sua estimativa de rentabilidade após registrar receita recorde e forte geração de caixa no segundo trimestre. A maior parte da revisão, porém, está ligada a um crédito tributário extraordinário e à isenção de tarifas nos Estados Unidos.
A fabricante agora prevê fluxo de caixa livre ajustado, excluindo a Eve, de pelo menos US$ 400 milhões neste ano, ante US$ 200 milhões ou mais anteriormente. A faixa projetada para a margem EBIT ajustada subiu de 8,7% a 9,3% para 10% a 10,6%.
As estimativas de receita, entre US$ 8,2 bilhões e US$ 8,5 bilhões, e de entregas foram mantidas. A Embraer ainda espera entregar de 80 a 85 aeronaves comerciais e de 160 a 170 jatos executivos em 2026.
O ponto médio da projeção de margem EBIT aumentou 1,3 ponto percentual, para 10,3%, o equivalente a cerca de US$ 110 milhões. Desse total, 0,8 ponto percentual decorre de um crédito tributário extraordinário de US$ 68 milhões e outros 0,45 ponto da isenção de tarifas americanas no segundo semestre. A melhora efetiva na perspectiva dos negócios responde por apenas 0,05 ponto percentual.
Na prática, fatores tributários e tarifários explicam 125 dos 130 pontos-base da revisão. A Embraer disse que ainda deverá arcar com cerca de US$ 12 milhões por ano em tarifas indiretas de importação nos Estados Unidos.
A receita líquida alcançou R$ 11,34 bilhões no segundo trimestre, alta de 10% sobre um ano antes e o maior valor já registrado pela companhia para o período. Em dólares, o faturamento avançou 23%, para US$ 2,24 bilhões.
O EBIT ajustado cresceu 39%, para R$ 1,51 bilhão, com margem de 13,4%, ante 10,6% no segundo trimestre de 2025. O EBITDA ajustado aumentou 30%, para R$ 1,81 bilhão, e a margem passou de 13,5% para 16%.
A rentabilidade recorrente mostrou uma evolução mais moderada. Excluídos os efeitos das tarifas americanas e dos créditos tributários em ambos os períodos, a margem EBIT ajustada teria sido de 10,6% no trimestre, abaixo dos 11,1% registrados um ano antes.
O lucro líquido ajustado atingiu R$ 1,11 bilhão, crescimento de 25% na comparação anual. O lucro atribuível aos acionistas mais que dobrou, para R$ 1,08 bilhão, ante R$ 448,9 milhões no mesmo período de 2025, ajudado pelo desempenho operacional e pela redução das despesas financeiras líquidas.
Caixa vira destaque
O fluxo de caixa livre ajustado da Embraer, sem a Eve, foi positivo em R$ 2,03 bilhões, revertendo o consumo de R$ 989 milhões registrado um ano antes. Em dólares, a geração alcançou US$ 401 milhões, ante uma saída de US$ 162 milhões no segundo trimestre de 2025.
Além do resultado operacional e do crédito tributário, o caixa foi beneficiado por adiantamentos de clientes. Os passivos de contrato cresceram R$ 1,4 bilhão no trimestre, principalmente no segmento de Defesa & Segurança, contribuindo para uma melhora de R$ 918 milhões no capital de giro.
A dívida líquida da Embraer, excluindo a Eve, caiu para R$ 1,11 bilhão, ante R$ 2,77 bilhões no fim de março. A alavancagem terminou o período em 0,2 vez o EBITDA ajustado, abaixo de 0,6 vez um ano antes.
As projeções anuais não incluem a Eve, que consumiu R$ 248 milhões em caixa no trimestre. A subsidiária encerrou junho com R$ 2,09 bilhões em disponibilidades e posição de caixa líquido de R$ 472 milhões.
Aviação executiva impulsiona resultado
A Embraer entregou 65 aeronaves no trimestre, o maior volume para um segundo trimestre em 16 anos e 7% acima do registrado um ano antes. Foram 20 jatos comerciais e 45 executivos. Não houve entregas no segmento de defesa.
Na Aviação Executiva, a receita aumentou 19%, para R$ 3,68 bilhões, enquanto a margem EBIT ajustada saltou de 14,6% para 23,6%. O segmento, contudo, concentrou US$ 60 milhões do crédito tributário. Sem tarifas e créditos extraordinários, a margem teria sido de 16,1%, praticamente estável ante 16,2% um ano antes.
Defesa & Segurança apresentou crescimento de 22% na receita, para R$ 1,54 bilhão, impulsionado pelo avanço do programa KC-390. A margem EBIT subiu de 9,3% para 12%.
Em Serviços & Suporte, a receita avançou 11%, para R$ 2,85 bilhões, e a margem EBIT passou de 15,6% para 18,8%. Mesmo sem os efeitos tarifários e tributários, a margem teria aumentado para 17,6%.
O desempenho foi mais fraco na Aviação Comercial. A receita recuou 2%, para R$ 3,18 bilhões, apesar do aumento das entregas, refletindo a valorização do real e o mix de clientes vinculados a contratos mais antigos. A margem EBIT caiu de 4,2% para 2,9%.
A carteira de pedidos firmes alcançou o recorde de US$ 34,5 bilhões, avanço de 16% em 12 meses e o sétimo recorde trimestral consecutivo. O backlog aumentou em todas as divisões, com altas de 42% em Defesa & Segurança, 15% na Aviação Comercial, 12% em Serviços & Suporte e 5% na Aviação Executiva.
Para cumprir a projeção anual, a Embraer ainda precisará entregar entre 50 e 55 aeronaves comerciais e entre 86 e 96 jatos executivos no segundo semestre. A companhia afirmou que continuará concentrada em vendas, eficiência e aumento do ritmo de produção.













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